Caldas, MG – A empresa Meteoric conquistou um passo decisivo para avançar com o Projeto Caldeira, iniciativa voltada à produção de terras raras no sudoeste de Minas Gerais. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) concedeu à companhia a Licença Ambiental Concomitante (LAC1), documento que autoriza, ao mesmo tempo, a construção e a operação da planta-piloto. A licença foi emitida em 29 de agosto e terá validade de dez anos.
Projeto estratégico para a cadeia de terras raras
Localizado no Complexo Alcalino de Poços de Caldas, o Projeto Caldeira é integralmente controlado pela australiana Meteoric Resources NL. O empreendimento busca explorar depósitos de argilas de adsorção iônica (IAC), semelhantes aos encontrados no sul da China, mas com expectativa de teores mais elevados.
O investimento previsto é de R$ 1,1 bilhão, com projeções financeiras que incluem Valor Presente Líquido (VPL) de US$ 1,4 bilhão e Taxa Interna de Retorno (TIR) de 40,4%. A reserva estimada varia entre 1,1 e 1,5 bilhão de toneladas, com teor médio de 2.359 a 2.413 ppm de óxidos de terras raras totais (TREO).
A proposta prevê ainda a criação de 700 empregos diretos e a possibilidade de atender 10% a 15% da demanda global de terras raras, consolidando o Brasil como alternativa estratégica ao domínio da China. O projeto já possui apoio do EXIM Bank dos Estados Unidos e um Memorando de Entendimento firmado com a Neo Performance Materials.
Modelo ambiental e desafios
A Meteoric defende que o modelo de extração adotado em Caldas terá menor impacto ambiental, já que dispensa perfuração e detonação, não prevê barragens de rejeitos e adota técnicas de empilhamento a seco e preenchimento de cavas. A empresa garante que não haverá geração significativa de resíduos radioativos.
Ainda assim, a região carrega o histórico da mineração de urânio, o que desperta preocupações sobre a presença de materiais radioativos naturais (NORM) e riscos de contaminação hídrica. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) foi protocolado em maio de 2024, e a fiscalização caberá à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), especialmente em relação ao monitoramento de NORM.
Reação da comunidade
Entre os moradores de Caldas, as principais inquietações dizem respeito à saúde pública, ao uso da água e ao legado da antiga exploração de urânio na área. A Meteoric afirma que já realizou consultas sociais e que 89% da comunidade demonstrou apoio ao projeto. Entretanto, lideranças locais reivindicam maior participação popular no processo de licenciamento e acompanhamento das atividades.