O anúncio de que as mensalidades escolares em 2026 terão reajuste médio de quase 10% – mais que o dobro da inflação estimada para este ano (4,83%, segundo o Banco Central) – acende um alerta importante para pais, responsáveis e para toda a sociedade.
A pesquisa realizada pelo Grupo Rabbit, divulgada pelo jornal O Globo, mostra uma tendência já conhecida, mas cada vez mais preocupante: a disparidade entre o custo da educação privada e a evolução dos salários da maioria dos brasileiros. Enquanto a inflação oficial mede a variação de preços que afeta o dia a dia, como alimentação e transporte, o reajuste das escolas privadas segue outro caminho, ditado por custos administrativos, folha de pagamento de professores, manutenção da estrutura e investimentos em tecnologia.
O resultado é que milhares de famílias enfrentarão mais uma vez o dilema de equilibrar o orçamento doméstico para manter seus filhos em instituições de ensino de qualidade. Muitas, inclusive, precisarão buscar alternativas, renegociar contratos ou recorrer à rede pública, o que amplia a pressão sobre um sistema que já enfrenta desafios estruturais históricos.
Esse movimento também abre espaço para uma discussão mais ampla: até que ponto a educação de qualidade no Brasil continuará sendo um privilégio acessível apenas a uma parcela da população? O país que almeja ser competitivo no cenário global não pode conviver com uma elite cada vez mais escolarizada e uma maioria com acesso limitado a oportunidades formativas.
É urgente repensar a forma de custeio da educação privada, estimular políticas públicas que valorizem a escola pública e ampliar os mecanismos de bolsas, descontos e programas de apoio. Caso contrário, cada reajuste anual se tornará mais um golpe contra a igualdade de oportunidades – princípio que deveria nortear qualquer sociedade que se pretenda justa e democrática.