Os dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE, revelam um retrato que merece reflexão: o carro continua sendo o principal meio de transporte dos brasileiros para ir ao trabalho. Nada menos que 32% da população que se desloca regularmente utiliza o automóvel, superando os 21,4% que dependem do ônibus e os 17,8% que caminham.
À primeira vista, o dado pode parecer apenas uma constatação de preferência. Mas, na verdade, ele aponta para uma escolha condicionada por limitações estruturais. O automóvel não é, para muitos, um símbolo de conforto ou status — é uma necessidade diante da insuficiência do transporte público, da falta de integração entre modais e da ausência de planejamento urbano que privilegie o pedestre e o ciclista.
Cidades como Poços de Caldas não estão fora desse cenário. O trânsito intenso em horários de pico, a escassez de linhas de ônibus que atendam bairros periféricos e a carência de ciclovias seguras são sintomas de uma política de mobilidade que ainda coloca o carro no centro das decisões.
Enquanto isso, o transporte coletivo segue enfrentando desafios: frota envelhecida, tarifas elevadas e pouca atratividade. A caminhada, que deveria ser incentivada por meio de calçadas acessíveis e trajetos sombreados, ainda é um desafio para idosos, pessoas com deficiência e trabalhadores que moram longe dos centros.
O editorial de hoje é, portanto, um apelo por um novo olhar sobre a mobilidade urbana. É preciso investir em políticas públicas que valorizem o transporte coletivo, estimulem o uso de bicicletas, melhorem a acessibilidade e reduzam a dependência do automóvel particular.
Um país que depende tanto do carro para se mover é um país que estacionou na lógica individual. O Brasil precisa voltar a andar — juntos, de forma sustentável e inteligente.