A produção industrial brasileira ainda não conseguiu recuperar o fôlego perdido ao longo da última década. Mesmo com um leve crescimento em 2025, os índices continuam 15,1% abaixo dos verificados em 2011, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor, que sofreu fortemente com os efeitos da pandemia, enfrenta agora o desafio de se reinventar diante das rápidas transformações tecnológicas.
Mas há um movimento promissor. O uso da Inteligência Artificial (IA) na indústria nacional mais que dobrou entre 2022 e 2024 — passando de 16,9% para 41,9%.
Essa revolução silenciosa está se espalhando pelas fábricas, com aplicações que vão desde a manutenção preditiva até a análise de big data, ajudando empresas a prever falhas, otimizar processos e reduzir custos.
Contudo, o avanço não é uniforme. A pesquisa do IBGE revela que, embora 89,1% das empresas já utilizem algum tipo de tecnologia digital avançada, a adoção plena da chamada Indústria 4.0 esbarra em dois obstáculos: o alto custo de implementação e a falta de mão de obra qualificada.
Essa barreira tecnológica e educacional precisa ser enfrentada com políticas públicas consistentes e parcerias estratégicas entre setor produtivo, universidades e governo.
A inteligência artificial pode ser o motor que faltava para uma nova era industrial no Brasil — mais eficiente, sustentável e competitiva. Mas, para isso, é necessário mais do que algoritmos: é preciso planejamento, capacitação e visão de futuro.