A criação do “Consórcio da Paz”, anunciada por sete governadores nesta quinta-feira (30), representa um movimento inédito de articulação federativa no combate ao crime organizado. O grupo pretende unir forças, trocar informações de inteligência e oferecer apoio mútuo — tanto financeiro quanto operacional — entre os estados, em uma tentativa de romper as fronteiras que há muito tempo o crime ignora.
O anúncio ocorre após uma das operações mais letais da história recente, no Rio de Janeiro, que deixou ao menos 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha. O episódio reacendeu o debate sobre a eficácia das ações de enfrentamento e, sobretudo, sobre a urgência de estratégias integradas, capazes de atacar as raízes das facções e não apenas seus efeitos mais visíveis.
Ao sediar o consórcio, o governo fluminense assume um papel simbólico e desafiador: o de transformar o epicentro da crise em laboratório de soluções. Mas o sucesso da iniciativa dependerá de muito mais do que reuniões de cúpula — exigirá cooperação real, investimento contínuo em inteligência, fortalecimento das polícias e políticas sociais que disputem os territórios hoje dominados pela violência.
O “Consórcio da Paz” pode ser um marco de mudança na segurança pública brasileira, desde que não se limite a um pacto de intenções. A paz, afinal, não se decreta — constrói-se com integração, transparência e compromisso coletivo.