Poços de Caldas, MG – A sessão ordinária da Câmara Municipal desta terça-feira (4) foi marcada por tensão, cobranças e trocas de acusações durante a presença do diretor-presidente do Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE), Paulo César Silva, Paulinho, que compareceu ao plenário para prestar esclarecimentos sobre denúncias envolvendo pagamento de horas extras, assédio moral e gestão de recursos na autarquia.
Vídeo de realizações e panorama do DMAE
Paulinho iniciou sua fala exibindo um vídeo institucional destacando as principais realizações do DMAE nos últimos anos. Entre os pontos apresentados, ressaltou que 100% do esgoto coletado em Poços de Caldas é tratado, por meio das três estações de tratamento que atendem o município. Segundo ele, o órgão está com todos os pagamentos em dia e conta atualmente com mais de R$ 23 milhões aplicados, demonstrando equilíbrio financeiro.
Casos de desvio e sindicância
O diretor também comentou sobre o caso de uma servidora condenada por desvio de recursos, que, segundo ele, “terá de devolver o dinheiro e deve ser punida também na esfera criminal, mesmo não possuindo bens para ressarcimento imediato”.
Quanto às denúncias sobre horas extras, Paulinho afirmou que o DMAE abriu sindicância interna após alerta da Câmara e agradeceu o Legislativo pelo acompanhamento. De acordo com os dados apresentados, a média de horas extras é de 12,75 horas por servidor ao mês, e apenas cinco casos estão fora do padrão, o que, segundo ele, será corrigido.
“Se forem constatadas irregularidades, haverá processo administrativo. As horas extras são assinadas por gerentes e supervisores”, frisou.
Debate acalorado e clima político
Durante a sessão, pelo menos dez vereadores manifestaram posição favorável ao afastamento de Paulinho do cargo, diante das denúncias apresentadas. O diretor, no entanto, negou as acusações de assédio moral e disse que “faz uma gestão que descobre roubos, barra irregularidades e toma providências”. Ele também destacou que, apesar da falta de pessoal e da necessidade de dobrar turnos, Poços de Caldas não sofre com desabastecimento de água. A reunião foi marcada por momentos de bate-boca intenso. O primeiro confronto ocorreu entre Paulinho e o vereador Diney Lenon, que questionou o fato de a sindicância não ter incluído todos os nomes que precisariam ser investigados. Diney questionava o fato de servidores estarem sendo investigados por fazerem horas-extras exorbitantes, mas quem assinou por isto não. Paulinho respondeu que novas pessoas poderão ser investigadas, se houver necessidade.
Em outro momento, o diretor afirmou saber da existência de “várias denúncias contra ele encaminhadas à Câmara”, mas declarou que não há provas contra ele, negando qualquer desvio de dinheiro público. “Não vejo motivo para me afastar. Entreguei meu contra-cheque, imposto de renda e certidões criminais aos vereadores e espero ser tratado com respeito”, afirmou.
Pastora Mel
A tensão aumentou quando Paulinho também discutiu com a vereadora Pastora Mel. Em determinado momento, ambos foram repreendidos pelo presidente da Casa, que pediu ordem no plenário. Paulinho acusou a parlamentar de “faltar com respeito” durante a sua fala.
Apesar das críticas, o dirigente reiterou que sua gestão tem promovido avanços significativos desde que assumiu o órgão, que segundo ele, “estava sucateado e hoje apresenta resultados sólidos”. A pastora descordou e voltou a fazer outros vários questionamentos, quase sempre não ficando satisfeita com a resposta.