A expectativa de um volume recorde de R$ 5,4 bilhões movimentando o comércio brasileiro na Black Friday deste ano confirma uma tendência que se consolida: o consumidor volta às compras com mais intensidade, mas ainda com cautela. A estimativa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) aponta um crescimento real de 2,4% em relação a 2024 — um avanço modesto, porém significativo, considerando o cenário econômico ainda marcado por crédito caro e orçamento apertado.
O dado reforça que a Black Friday, originalmente concentrada em um único dia, se transformou no Brasil em uma temporada estendida de consumo. Como explica o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o impacto é medido ao longo de todo o mês de novembro — reflexo do comportamento das empresas, que antecipam ofertas, e dos consumidores, que planejam melhor as compras em busca de oportunidades reais, evitando cair em armadilhas de preços.
Hoje, a data já ocupa a quinta posição no calendário comercial, atrás apenas de gigantes tradicionais como Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e Dia dos Pais. Isso mostra o alcance do evento no país e sua capacidade de movimentar setores como eletroeletrônicos, moda, móveis e artigos para o lar, historicamente líderes de vendas.
Mas o crescimento da Black Friday em 2025 carrega também um alerta. Em um ambiente de maior fiscalização e de consumidores mais exigentes, a confiança se torna fator decisivo. Transparência nas promoções, preços reais, qualidade do atendimento e cumprimento de prazos serão diferenciais para os lojistas — além de essenciais para preservar a credibilidade do período promocional.
A Black Friday brasileira deixou de ser apenas uma importação de calendário: tornou-se um termômetro do varejo — e, mais do que nunca, de um consumidor que busca preço, mas exige respeito.