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Apostas

Data da Publicação:

24/11/2025

A nova pesquisa “Apostas Online”, realizada pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, lança luz sobre um fenômeno que já deixou de ser periférico e se tornou parte do cotidiano de milhares de brasileiros: o crescimento acelerado das plataformas de jogos e apostas esportivas virtuais. Os dados revelam um cenário que mistura diversão, risco e a necessidade urgente de regulação mais robusta.
Embora 81,8% dos entrevistados afirmem nunca ter apostado, o impacto social das plataformas é evidente: 58,9% dizem conhecer alguém próximo que aposta com frequência. Em outras palavras, mesmo quem não participa diretamente sente os efeitos do fenômeno ao seu redor. E entre os que apostam, o hábito se mostra intenso: 40% fazem apostas pelo menos uma vez por mês, 30% semanalmente, e 30% diariamente — um padrão que se aproxima de comportamentos potencialmente problemáticos.
O gasto médio mensal de R$ 180,63 pode parecer baixo à primeira vista, mas, somado à frequência e ao tamanho da base de usuários, revela uma movimentação financeira expressiva — e, muitas vezes, pouco transparente. Não surpreende que 88,6% defendam maior controle ou regulamentação das plataformas. O recado é claro: falta ordenamento para um setor que cresce mais rápido do que a capacidade do poder público de acompanhá-lo.
A pesquisa indica que 86,7% dos apostadores não deixaram de consumir nada para apostar. Já entre os que cortaram gastos, a renúncia aparece primeiro no lazer (5,3%), seguida do supermercado (4%) e do vestuário (4%). Ainda que os percentuais pareçam modestos, representam o início de um padrão perigoso: quando apostas começam a interferir no orçamento doméstico, o caráter recreativo dá lugar a um problema social.
Diante desse quadro, a discussão sobre apostas online não pode mais ser adiada. É preciso regulamentar, fiscalizar e educar, garantindo que o setor opere com transparência e que a população tenha ferramentas de proteção contra os riscos associados.
As apostas podem até começar como diversão — mas, sem controle, podem custar muito mais do que dinheiro.

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