O alerta aceso pelo Tesouro Nacional sobre a saúde financeira de nove estatais federais é mais do que um aviso técnico: é um sinal claro de que o país precisa enfrentar, com seriedade e transparência, a má gestão e a incapacidade estrutural que ainda persistem em parte do setor público. A revisão da projeção de déficit para 2025 — que saltou de R$ 6,2 bilhões para R$ 9,2 bilhões — expõe um cenário preocupante e que exige resposta rápida.
Os Correios, novamente, aparecem como o principal foco de instabilidade. Só entre janeiro e setembro, a estatal acumulou prejuízo de R$ 6,1 bilhões e pode fechar o ano com mais de R$ 10 bilhões de rombo. O que já foi um símbolo de eficiência e presença nacional hoje luta para manter relevância em um mercado profundamente transformado pela tecnologia, pela concorrência privada e pela digitalização dos serviços.
Mas o problema não é isolado. O relatório de Riscos Fiscais da União cita outras companhias como Infraero, Casa da Moeda, Eletronuclear e Emgea, que podem em breve necessitar de aportes públicos para seguirem funcionando. Ou seja: empresas que deveriam gerar resultados positivos para o Estado podem, ao contrário, pressionar ainda mais os cofres públicos e o contribuinte.
Não se pode ignorar que algumas dessas estatais exercem funções estratégicas ou sociais relevantes. Porém, o que a sociedade espera — e tem direito — é que essas funções sejam desempenhadas com governança responsável, planejamento sustentável e foco no interesse público.
A solução não está apenas em injeções constantes de recursos, que apenas prolongam o problema. É preciso recuperar eficiência, corrigir rumos e retirar de cena o que não faz mais sentido econômico ou institucional. Transparência na gestão, metas claras e avaliação contínua precisam ser premissas, não discursos.