Poços de Caldas, MG – A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (4), em Poços de Caldas, o assessor financeiro Frederico Goz Biagi, apontado como responsável por um elaborado esquema de desvio de recursos que teria causado um rombo estimado em R$ 11 milhões. A detenção ocorreu durante a Operação Stop Loss, deflagrada em Ribeirão Preto e que também cumpriu mandados em São Paulo e Rio de Janeiro.
Biagi, que atuava no mercado local de investimentos, conquistava a confiança de clientes por meio de uma postura cortês, apresentação impecável e forte poder de persuasão. Segundo uma das vítimas, que preferiu não ter o nome divulgado, ele se apresentava como especialista em operações de Mini-Dólar na B3 e oferecia oportunidades de rendimentos elevados, sempre sustentadas por discursos técnicos e demonstrações de segurança.
Empresa criada para dar aparência de legalidade
A fraude teria ganhado corpo a partir de 2023, quando um grupo de investidores formado por profissionais de diferentes áreas decidiu constituir uma empresa para centralizar os aportes destinados às operações conduzidas por Biagi. A estrutura exigia a assinatura de dois administradores para qualquer movimentação financeira, mecanismo que deveria garantir transparência e segurança.
No entanto, de acordo com o relato, o investigado conseguiu abrir uma conta bancária vinculada à empresa sem seguir as regras do contrato social, permitindo que movimentasse valores sozinho. Por meio dessa brecha, recursos enviados pelos sócios eram transferidos para contas controladas por ele, sem autorização dos administradores.
A vítima afirma que o assessor teria usado a mesma prática com diversas outras pessoas, incluindo parentes e ex-companheiras, comportamento que a Polícia Federal confirmou em nota oficial.
Construção de confiança fazia parte do golpe
O delegado Marcelus Henrique de Araújo explicou que Biagi utilizava sua posição profissional para se aproximar de pessoas de alto poder aquisitivo, criando não apenas uma relação comercial, mas também vínculos pessoais. Essa estratégia, classificada pelo delegado como “engenharia social”, tornava o ambiente favorável para que investidores entregassem seus recursos acreditando em promessas de ganhos consistentes.
Com o dinheiro em mãos, porém, segundo a PF, Biagi operava por conta própria no mercado financeiro, realizando day trade com alto grau de risco — operações que resultaram na perda total dos valores aplicados.
Para sustentar a narrativa de lucros, ele ainda teria produzido relatórios de rendimento fictícios, que acabaram sendo utilizados nas declarações de Imposto de Renda das vítimas, gerando pagamento indevido de tributos.
Crimes investigados e penas
Frederico Goz Biagi responderá por uma lista extensa de crimes previstos na Lei 7.492/86, que trata dos delitos contra o Sistema Financeiro Nacional. Entre eles: Gestão fraudulenta; Apropriação de recursos de investidor; Manutenção de investidor em erro por omissão ou falsidade; Fraude à fiscalização mediante inserção de informações falsas; Inserção de elementos falsos em documentos contábeis.
Contabilidade paralela
Se condenado por todas as práticas, as penas podem somar de 10 a 37 anos de prisão.
A Polícia Federal segue investigando para identificar outras possíveis vítimas e apurar a participação de eventuais colaboradores no esquema.