Poços de Caldas (MG) – O chefe para as operações brasileiras da Viridis Mining & Minerals, Klaus Petersen, e representantes da empresa receberam representantes da imprensa de Poços em um encontro realizado nesta terça-feira, quando apresentou informações atualizadas sobre o projeto de terras raras desenvolvido no município e reforçou a política de transparência adotada pela empresa. A previsão, segundo ele, é que a operação tenha início no segundo semestre de 2028.
Durante a conversa com o Jornal Mantiqueira, Petersen destacou que o contato direto com a imprensa faz parte de um esforço estratégico da companhia para explicar um projeto considerado técnico e complexo, mas de grande interesse público. “A tarefa de explicar esse trabalho é um pouco mais complicada, mais técnica. Por isso, esse contato é fundamental, para que a comunidade, o poder público e a mídia tenham acesso às informações corretas sobre como tudo funciona”, afirmou.
Transparência como diretriz
De acordo com o executivo, o projeto desperta atenção crescente por envolver terras raras, insumos estratégicos utilizados em setores como tecnologia, transição energética e indústria automotiva. “Hoje em dia, todo mundo está olhando para essa área e quer saber mais. Por isso adotamos uma política de ser extremamente transparentes, recebendo todos que vêm até aqui para explicar e detalhar cada etapa do processo”, ressaltou.
Petersen enfatizou que o diálogo aberto integra o programa institucional da Viridis e busca reduzir incertezas, esclarecer dúvidas e fortalecer a relação com a comunidade local, especialmente em uma região que já tem histórico de atividades industriais e minerárias.
Cronograma e licenciamento ambiental
No aspecto técnico, o chefe das operações brasileiras explicou que o projeto segue rigorosamente o cronograma estabelecido desde o início, há cerca de dois anos. “Estamos extremamente dentro do cronograma e muito bem ajustados com o plano de construção da mina. A meta é iniciar a operação no segundo semestre de 2028”, garantiu.
Um marco importante foi alcançado em dezembro, com a obtenção da Licença Prévia. Petersen explicou que o licenciamento ambiental ocorre em três fases e que a LP autoriza a empresa a avançar para a próxima etapa. “A licença prévia nos dá o direito de continuar no processo, mas não permite iniciar obras. Neste ano, vamos requerer a Licença de Instalação, apresentando toda a engenharia do projeto e o cumprimento dos condicionantes ambientais”, detalhou.
A expectativa da empresa é obter a Licença de Instalação até meados do segundo semestre deste ano, o que permitiria o início efetivo da fase de construção. Paralelamente, a Viridis já possui financiamentos em andamento e contratos de compra futura do produto da mina em negociação, o que reforça a viabilidade econômica do empreendimnto.
Estrutura do projeto e sustentabilidade
O plano da mina já está definido, com área localizada na zona sul de Poços de Caldas e integrada ao projeto geral. Petersen explicou que, além da extração, está prevista a construção futura de uma unidade industrial voltada ao refino do material. A empresa já detém tecnologia para produzir óxidos de terras raras, o que abre caminho para a verticalização da produção no Brasil.
Sobre os impactos ambientais, tema recorrente nas preocupações da comunidade, o executivo foi enfático: “Todo projeto tem impacto, isso é inegável. O licenciamento existe justamente para avaliar se os impactos positivos superam os negativos e como mitigar esses efeitos”.
Segundo ele, a Licença Prévia já reconheceu que os impactos do projeto são majoritariamente positivos e que os eventuais efeitos negativos podem ser mitigados. Diferentemente de grandes minas tradicionais, o empreendimento não prevê barragens de rejeitos nem grandes cavas abertas. “É uma mineração mais sustentável, com recuperação e reabilitação contínuas, ano a ano, conforme a frente de lavra avança”, explicou.
Mercado internacional e agregação de valor
Petersen também comentou sobre o interesse internacional no projeto. Os Estados Unidos, segundo ele, buscam atrair a industrialização para seu território, mas veem o Brasil como potencial fornecedor de matéria-prima estratégica. Já a União Europeia mantém conversas avançadas com a Viridis, avaliando a possibilidade de parcerias futuras.
“Para a Europa, muitas vezes é mais sustentável economicamente trazer a indústria para cá e focar lá na etapa de maior valor agregado, como a mecânica fina e a indústria automotiva. Com isso, há boas chances de atrair mais etapas da cadeia produtiva para o Brasil”, avaliou.
Investimentos sociais e relação com a comunidade
Ao final, o executivo destacou os impactos positivos do projeto para além da economia, com apoio a iniciativas esportivas, culturais e comunitárias. Por ser uma empresa listada na bolsa australiana, a Viridis passa por um longo ciclo de investimentos antes de gerar retorno financeiro, previsto apenas após 2028. Ainda assim, uma parcela dos recursos já é destinada a projetos locais.
“É dinheiro de investimento, muitas vezes emprestado, mas fazemos questão de dedicar parte dele à relação comunitária. Isso dá um prazer especial para a equipe”, afirmou. A tendência, segundo Petersen, é que esses investimentos sociais cresçam de forma significativa após o início da operação da mina, seguindo exemplos de grandes indústrias já consolidadas na região.
Viridis reforça diálogo com a comunidade por meio de projetos sociais, culturais e esportivos
Poços de Caldas (MG) – A coordenadora do Departamento de Relações Comunitárias da Viridis Mining & Minerals, Caroline de Souza, falou ao Jornal Mantiqueira sobre a política de apoio a projetos comunitários desenvolvida pela empresa e destacou a importância do diálogo permanente com a população local como parte das contrapartidas sociais do empreendimento.
Segundo Caroline, a Viridis mantém atualmente uma comissão específica de apoio comunitário, responsável por analisar e deliberar sobre os projetos apresentados à empresa. As reuniões acontecem mensalmente e envolvem uma avaliação criteriosa das propostas recebidas. “Nós temos uma comissão de apoio e, todo mês, realizamos reuniões para avaliar os projetos e tomar as deliberações necessárias”, explicou.
Processo transparente e participativo
Os projetos interessados em apoio podem ser cadastrados de forma aberta e acessível. De acordo com a coordenadora, a Viridis disponibiliza um link em seu perfil oficial no Instagram para o envio das propostas. “Os projetos chegam até nós por meio desse cadastro, passam pela comissão, onde conseguimos identificar a potencialidade de cada iniciativa. Depois disso, eles também são avaliados junto à diretoria da empresa”, detalhou.
Esse fluxo, segundo Carolina, garante transparência, organização e critérios claros na escolha das iniciativas apoiadas, além de permitir que diferentes segmentos da sociedade tenham acesso ao processo.
Diversidade de iniciativas apoiadas
A coordenadora destacou que a empresa tem recebido projetos de diferentes áreas, refletindo a diversidade de demandas da comunidade. “Chegam projetos de cunho esportivo, cultural e também social. Isso mostra como a comunidade é ativa e como existem iniciativas importantes sendo desenvolvidas em várias frentes”, afirmou.
Para a Viridis, apoiar essas ações vai além de um simples repasse de recursos. Trata-se de fortalecer vínculos, estimular o desenvolvimento local e reconhecer o papel das organizações e coletivos que atuam diretamente junto à população.
Contrapartida social e fortalecimento do vínculo comunitário
Caroline reforçou que o apoio aos projetos comunitários faz parte das contrapartidas assumidas pela empresa e deve ser construído em conjunto com a sociedade.
“É muito importante trabalhar essa leitura com a comunidade, para que todos entendam esses apoios como uma contrapartida da empresa e como parte de uma relação de parceria”, pontuou.
PAULO VITOR DE CAMPOS
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