O aumento da participação de eleitores de 16 e 17 anos nas eleições é uma boa notícia para a democracia. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram um crescimento expressivo desse público entre 2018 e 2022, sinal de que a juventude tem buscado ocupar seu espaço nas urnas.
Mas o dado positivo também revela um contraste. Embora mais jovens estejam votando, o envolvimento com a política ainda é pequeno no dia a dia. Falta participação nos debates, acompanhamento das decisões públicas e maior interesse pelos rumos da cidade, do estado e do país.
Em Poços de Caldas, essa discussão é ainda mais importante. Existe aqui um esforço do Legislativo em integrar jovens na política través do programa Parlamento Jovem. Mas questões como educação, transporte, emprego, esporte, cultura e oportunidades para os jovens passam diretamente pela política. Quando a juventude se afasta desse debate, perde a chance de influenciar decisões que afetam seu próprio futuro.
Também é preciso admitir que a política ainda falha em dialogar com as novas gerações. Falta linguagem mais próxima, espaços de escuta e incentivo à formação cidadã. Votar é importante, mas não suficiente.
O desafio é transformar presença nas urnas em participação consciente. Democracia forte se constrói não apenas no dia da eleição, mas com juventude ativa, informada e presente na vida pública.