O avanço da tecnologia trouxe inclusão, mas também expôs fragilidades. E, entre todos os grupos, os idosos aparecem hoje como os mais vulneráveis quando o assunto é fraude virtual. Não por acaso, um levantamento da Fundação Seade revela que 82% das pessoas com mais de 60 anos já foram alvo de tentativas de golpes digitais, geralmente por mensagens, e-mails ou ligações fraudulentas .
Mais do que o número expressivo, chama atenção a percepção de risco: cerca de 70% dos idosos se sentem vulneráveis no ambiente digital, índice superior ao de outras faixas etárias . Ou seja, trata-se de um grupo que não apenas é alvo frequente, mas que também reconhece sua própria fragilidade diante de um cenário cada vez mais complexo.
Esse fenômeno tem explicações claras. Muitos idosos passaram a utilizar a internet de forma mais intensa recentemente, impulsionados por serviços bancários digitais, aplicativos e redes sociais. No entanto, ingressaram em um ambiente já sofisticado, onde golpes evoluem rapidamente e exploram, sobretudo, a confiança. Criminosos se passam por bancos, familiares ou instituições oficiais — e encontram, nesse público, uma combinação perigosa: menor familiaridade tecnológica e maior boa-fé.
Outro dado preocupante reforça essa realidade: entre os golpes efetivados, destaca-se a abertura de contas e contratação de empréstimos sem autorização, atingindo uma parcela significativa da população idosa . Ou seja, não se trata apenas de tentativas — os prejuízos são reais e impactam diretamente a renda e a dignidade dessas pessoas.
Diante disso, é preciso ir além da responsabilização individual. A segurança digital não pode ser tratada apenas como uma questão de atenção do usuário. Ela deve ser encarada como política pública, estratégia institucional e compromisso coletivo.
Proteger os idosos no ambiente digital é, antes de tudo, proteger sua autonomia.