A decisão do Governo de Minas Gerais de conceder à iniciativa privada a gestão de infraestrutura e serviços de 95 escolas públicas por meio do fundo IG4 BTG Pactual Health Infra marca um novo capítulo na forma de administrar a educação pública no estado. O leilão realizado na B3, com deságio de 14,17% e contraprestação mensal de R$ 22,35 milhões, reforça o discurso de eficiência e economia que costuma acompanhar projetos de parceria público-privada.
À primeira vista, os números impressionam: R$ 5,1 bilhões em investimentos ao longo de 25 anos, com promessa de modernização estrutural e melhoria de serviços em dezenas de cidades. Em um cenário em que muitas escolas públicas ainda enfrentam problemas básicos de manutenção, segurança e infraestrutura, iniciativas como essa surgem como alternativa viável para acelerar melhorias que, muitas vezes, o poder público sozinho não consegue entregar no ritmo necessário.
No entanto, é preciso cautela e, sobretudo, acompanhamento rigoroso. A experiência brasileira com parcerias desse tipo mostra que o sucesso depende diretamente da qualidade dos contratos, da transparência na execução e da fiscalização permanente. A economia inicial obtida no leilão não pode se transformar, no futuro, em custos ocultos ou em perda de qualidade nos serviços prestados.
Outro ponto relevante é a clara separação entre gestão administrativa e pedagógica. O fato de o projeto não interferir no ensino, mantendo professores e diretrizes sob responsabilidade do Estado, é um aspecto positivo. Preserva-se, assim, o caráter público da educação e evita-se a mercantilização do conteúdo pedagógico. Ainda assim, a infraestrutura influencia diretamente o aprendizado, e qualquer falha na execução impacta o ambiente escolar.
Mas a pergunta central permanece: como garantir que os benefícios prometidos se concretizem ao longo de um contrato de 25 anos?