Poços de Caldas, MG – “Esse manifesto é importante, mas acho que isso deveria ser uma coisa básica porque é um direito humano”. O estudante Davi Pedro, que é cadeirante, resumiu muito bem o sentimento de todas as pessoas com deficiência que não conseguem utilizar as vagas de estacionamento destinadas ao público PCD no trânsito de Poços de Caldas.
No último sábado, os motoristas que passaram pela Rua Assis Figueiredo, a mais importante via comercial do centro da cidade, sentiram na pele como é precisar de uma vaga e não ter como acessá-la. Durante a mobilização “Essa vaga não é sua cadeiras de rodas ocuparam vagas comuns de estacionamento, acompanhadas de cartazes com frases como “É só um minutinho!” e “Essa vaga não é sua nem por 1 minuto”.
A mobilização inverteu simbolicamente a lógica adotada por motoristas que estacionam irregularmente nas vagas destinadas às pessoas com deficiência, reforçando a necessidade de mudança de comportamento e maior empatia no trânsito.
A ação busca provocar reflexão e chamar a atenção da população para os impactos causados pelo uso indevido das vagas reservadas. “Acredito muito na conscientização e na educação. Espero que as pessoas compreendam e saibam que quando a gente fala de acessibilidade e luta pelas vagas e pela inclusão, a gente não está lutando só pela pessoa com deficiência, mas por todo mundo, pelos idosos, pelas gestantes e para todos que precisam”, ressaltou o articulador da pauta PCD junto à Secretaria Municipal de Assistência Social e orientador social, André Marinho.
A intervenção urbana foi realizada pela rede de proteção e defesa dos direitos das pessoas com deficiência em Poços de Caldas. Marcio Scherma, do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conpede), destacou que o objetivo da ação foi conscientizar a população para não usar as vagas das pessoas com deficiência. “Muitas vezes essa vaga é a única que a gente consegue acessar a calçada. Hoje, as pessoas sentiram na pele como é difícil precisar de uma vaga e não ter. Essa é a ideia da nossa mobilização”.
A iniciativa é um trabalho construído a muitas mãos, unindo Secretaria Municipal de Assistência Social, Secretaria Municipal de Segurança Pública e Mobilidade Urbana, a REDE PCD e o CONPEDE. A proposta é fazer com que a sociedade compreenda, na prática, os prejuízos gerados pelo desrespeito aos direitos das pessoas com deficiência, impactando o direito básico de ir e vir.