Poços de Caldas, MG – O município de Poços de Caldas foi palco de um importante marco de afirmação cultural, religiosa e política com a realização do Xirê na Praça, reunindo casas de Candomblé em um grande ato público de fé, resistência e visibilidade.
Mais do que um evento, o Xirê se consolidou como um movimento coletivo das religiões de matriz africana, ocupando o espaço público de forma legítima e necessária, reafirmando o direito à existência, ao respeito e à liberdade religiosa diante de uma história marcada pela invisibilidade e intolerância.
À frente da organização esteve Victor Hugo de Xangô, filho do Bàbálòórisà Arthur T’Oyá, que assumiu o papel de articulador e representante das casas de matriz africana do município, conduzindo o processo de mobilização com foco na união, no fortalecimento institucional e na construção de uma presença ativa dessas tradições na cidade.
O evento evidenciou um novo momento para o Candomblé em Poços de Caldas: um tempo de união entre os terreiros, superação de vaidades individuais e construção de um projeto coletivo pautado na visibilidade, no respeito e na garantia de direitos.
Durante o xirê, com cantos, toques e celebrações aos orixás, o que se viu foi mais do que uma manifestação religiosa foi um ato político de ocupação, pertencimento e afirmação identitária.
A realização do Xirê na Praça reforça que as religiões de matriz africana estão organizadas, presentes e dispostas a ocupar, cada vez mais, os espaços que historicamente lhes foram negados. Aberto à população, o evento também cumpriu um papel fundamental de aproximação com a sociedade, convidando ao diálogo, ao respeito e ao reconhecimento da importância cultural, histórica e social dessas tradições no Brasil.