O gasto médio mensal de R$ 1.073,98 nos supermercados revela muito mais do que o custo necessário para abastecer uma casa. O valor, apontado por levantamento da empresa de ciência de dados dunnhumby, representa quase metade da renda estimada da maioria das famílias consultadas e evidencia o peso crescente da alimentação no orçamento dos brasileiros.
Quando uma parcela tão expressiva dos rendimentos é destinada às compras essenciais, sobra pouco para outras despesas igualmente importantes, como moradia, transporte, saúde, educação e lazer. Para milhões de famílias, ir ao supermercado deixou de ser uma tarefa rotineira e passou a exigir planejamento rigoroso, substituição de produtos e renúncias.
A pesquisa mostra que a maioria dos consumidores distribui suas compras entre até quatro redes diferentes, comparando preços e procurando promoções. Esse comportamento demonstra que a fidelidade a uma única loja vem sendo substituída pela busca permanente por economia.
Os dados também ajudam a explicar o crescimento do atacarejo, frequentado por 63% dos entrevistados, enquanto 74% continuam recorrendo aos supermercados tradicionais. A presença nos dois formatos indica que o consumidor procura combinar conveniência, variedade e preços mais baixos..
O levantamento, realizado com mais de 10 mil consumidores entre fevereiro e abril de 2026, oferece um retrato preocupante da realidade econômica. Embora o consumidor tenha desenvolvido novas estratégias para proteger sua renda, há um limite para aquilo que pode ser cortado quando se trata de alimentação.
Garantir comida de qualidade à mesa não deveria consumir quase metade dos rendimentos familiares. O desafio envolve controle da inflação, geração de emprego, valorização da renda e políticas capazes de reduzir os custos de produção e distribuição.