A elevada desaprovação ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal deve ser recebida como um alerta por todos aqueles que ocupam posições de poder. Pesquisa Futura/100% Cidades divulgada nesta terça-feira aponta que 62,4% dos eleitores desaprovam a atuação do Congresso, enquanto apenas 26,1% a aprovam. No caso do STF, a avaliação também é negativa: 52,1% desaprovam o trabalho da Corte e 36,3% manifestam aprovação.
Os números revelam um distanciamento preocupante entre duas instituições fundamentais da República e uma parcela expressiva da população. Embora Congresso e Supremo exerçam funções distintas, ambos dependem da confiança pública para que suas decisões sejam compreendidas e respeitadas. Essa confiança, porém, não decorre apenas das atribuições estabelecidas pela Constituição. Precisa ser conquistada diariamente por meio da transparência, do equilíbrio e do compromisso com o interesse coletivo.
No Congresso, a percepção negativa pode ser alimentada por disputas partidárias intermináveis, privilégios, baixa produtividade em temas essenciais e negociações pouco transparentes. Enquanto a população enfrenta dificuldades relacionadas ao custo de vida, à saúde, à segurança e à geração de empregos, parte do debate político parece concentrada na distribuição de cargos, emendas e espaços de poder.
Quanto ao Supremo, a exposição crescente de seus ministros e a participação da Corte em questões de forte repercussão política ampliaram os questionamentos. O STF possui a indispensável missão de proteger a Constituição, mas o protagonismo excessivo, as decisões individuais de grande impacto e a dificuldade de compreensão de alguns julgamentos contribuem para aumentar a desconfiança. A independência do Judiciário deve ser preservada, mas independência não significa ausência de limites, transparência ou responsabilidade perante a sociedade.
É importante ressaltar que criticar instituições não significa defender seu enfraquecimento. Ao contrário: apontar falhas e exigir mudanças são atitudes necessárias para fortalecer a democracia. O risco surge quando a insatisfação popular é ignorada ou utilizada como combustível para ataques indiscriminados às instituições e à própria ordem constitucional.
Congresso e STF precisam responder à avaliação negativa com autocrítica e ações concretas. Ao Legislativo cabe aproximar-se das necessidades reais da população, tornar suas decisões mais transparentes e reduzir práticas que alimentam a impressão de favorecimento. Ao Judiciário cabe cultivar a sobriedade, privilegiar decisões colegiadas e comunicar de maneira mais clara os fundamentos de seus julgamentos. (A pesquisa citada neste editorial foi registrada no TSE sob o número BR081o9/2026)