A desconfiança pública em torno das investigações sobre o Banco Master merece atenção. Pesquisa da Alfa Inteligência divulgada nesta quinta-feira (24) aponta que 72% dos entrevistados que conhecem o caso consideram que as autoridades o tratam com menos rigor do que deveriam. O número expressa uma percepção, não uma conclusão sobre o trabalho dos investigadores. Ainda assim, quando tanta gente duvida da firmeza das apurações, as instituições precisam levar o recado a sério.
O caso já ultrapassou o círculo dos especialistas em finanças. Segundo o levantamento, 68% dos entrevistados disseram acompanhar as investigações ou ter ouvido falar delas. A atenção do público traz uma cobrança legítima: esclarecer os fatos, identificar eventuais responsabilidades e explicar as decisões tomadas ao longo do processo.
Investigar com rigor exige seguir as provas, qualquer que seja a posição econômica ou política das pessoas citadas. Exige também respeitar o direito de defesa e evitar que suspeitas sejam apresentadas como condenações. Esses cuidados não enfraquecem a apuração; são parte da credibilidade que ela precisa ter.
A transparência possível em cada etapa ajuda a reduzir a distância entre o trabalho das autoridades e a compreensão da sociedade. O sigilo necessário para proteger diligências deve ser preservado. Fora dessas situações, decisões relevantes precisam ser fundamentadas e comunicadas com clareza. Sem isso, dúvidas se acumulam e abrem espaço para versões interessadas dos fatos.
O resultado da pesquisa não autoriza prejulgar ninguém. Ele mostra, porém, que a confiança pública está sob pressão. A resposta mais sólida virá de uma investigação consistente, capaz de alcançar os fatos até onde as provas conduzirem e de prestar contas de seus resultados à sociedade.