A alta dos alimentos é o que mais tem prejudicado as finanças das famílias brasileiras, segundo 44,2% dos entrevistados em pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira, 23. Em seguida aparecem as contas básicas — luz, água, gás e internet —, citadas por 32,1%. Dívidas acumuladas e juros altos foram apontados por 25%. Como os participantes podiam escolher até duas respostas, os números mostram pressões que muitas vezes se somam dentro da mesma casa.
A comida oferece pouca margem para adiamentos. Quando os preços sobem, a família troca marcas, reduz quantidades e procura promoções. Mesmo assim, precisa voltar ao mercado na semana seguinte. Nas contas de consumo, o atraso pode trazer multas ou o risco de perder um serviço essencial. O crédito, usado para atravessar um mês difícil, pode comprometer os meses seguintes.
É por isso que o debate sobre o custo de vida precisa ir além dos índices gerais. Eles são importantes para medir a economia, mas não mostram sozinhos as escolhas feitas diante da prateleira ou da conta que vence antes do salário. Para quem dispõe de pouca renda, uma variação no preço dos itens essenciais pesa de maneira imediata.
O poder público deve tratar essa pressão com medidas consistentes: preservar a renda, acompanhar os preços dos alimentos, fortalecer a concorrência e facilitar a renegociação de dívidas em condições que as famílias possam cumprir. Também é preciso avaliar o efeito das decisões sobre tarifas e serviços básicos no orçamento doméstico.
A pesquisa traduz uma preocupação conhecida por milhões de brasileiros. Antes de qualquer plano para o futuro, é preciso fechar as contas do presente. Quando alimentação, serviços essenciais e juros disputam o mesmo dinheiro, o espaço para imprevistos desaparece. Recuperá-lo deve ser uma prioridade.