Passada a primeira fase das eleições, quando boa parte dos eleitos já está definida, chega também um momento inevitável: a ressaca eleitoral.
É a hora de recolher os restos da campanha, colocar as contas na mesa e fazer uma análise, com um pouco mais de distância, sobre aquilo que funcionou e aquilo que deu errado. Para quem venceu, é o momento de avaliar os acertos. Para quem perdeu, a tarefa costuma ser ainda mais difícil: entender onde a estratégia falhou, quais escolhas não deram resultado e o que poderia ter sido feito de maneira diferente.
Mas talvez o aspecto mais interessante da ressaca eleitoral esteja justamente no comportamento dos candidatos depois da disputa. Durante a campanha, muitos fazem promessas de que aquela será a última vez, que não pretendem mais enfrentar uma eleição e que a experiência foi suficiente. É o famoso “nunca mais”.
O problema é que a memória política costuma ser curta. Basta surgirem novas conversas, novas alianças e novas possibilidades eleitorais para que o discurso do “nunca mais” comece a perder força. Aos poucos, o entusiasmo volta, as articulações recomeçam e aquilo que parecia encerrado passa novamente a fazer parte dos planos.
E não há nada de errado em disputar uma eleição novamente. Colocar o próprio nome à apreciação popular é uma experiência importante e, ao mesmo tempo, um risco enorme. A urna pode confirmar expectativas, surpreender ou simplesmente mostrar que o eleitor pensava de maneira diferente daquela imaginada pelo candidato.
A grande questão é saber se a próxima campanha será construída com base na experiência da anterior.
Nem sempre é assim.
Muitas vezes, os erros são identificados, comentados e até reconhecidos, mas não são efetivamente corrigidos. O candidato muda o discurso, troca algumas pessoas, refaz a estratégia, mas mantém os mesmos vícios e repete as mesmas escolhas. E, quando percebe, está novamente diante dos mesmos problemas.
A ressaca eleitoral deveria servir justamente para isso: não apenas lamentar uma derrota ou comemorar uma vitória, mas aprender.
Eleição também é aprendizado. É preciso ouvir o eleitor, compreender os sinais das urnas e ter humildade para reconhecer que nem tudo saiu como planejado. Afinal, repetir uma campanha sem aprender com os erros da anterior é correr o risco de repetir também o resultado.
No fim das contas, a ressaca passa. A memória, porém, deveria permanecer.
Porque a próxima eleição pode até ser uma nova disputa, mas não precisa ser a repetição da anterior.