Poços de Caldas, MG – Bandeiras, chocalhos e tambores fazem parte de uma tradição que atravessa gerações em Poços de Caldas. Presente na história e na identidade cultural do município, a congada também inspira o projeto Semeando Nossa História. Criado em 2022, já percorreu escolas de diferentes regiões da cidade e realiza, nos meses de outubro e novembro, uma nova edição na Escola Municipal José Raphael dos Santos Netto, conhecida como Zé Neto, no bairro Jardim Philadelphia na zona leste.
O projeto Semeando Nossa História é realizado por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Poços de Caldas, com patrocínio do Hotel Village Inn All Inclusive, apoio institucional da Secretaria Municipal de Cultura e apoio da Secretaria Municipal de Educação de Poços de Caldas.
As oficinas atenderão quatro turmas do 3º ano do Ensino Fundamental I, com atividades que valorizam uma tradição presente no cotidiano de muitas crianças poços-caldenses. A proposta é incentivar o reconhecimento do patrimônio cultural do município, de suas histórias e manifestações populares, além de aproximar os estudantes dos grupos que mantêm vivos esses saberes.
A programação inclui a confecção de bandeiras com tecidos, fitas e flores, elementos tradicionais da congada, além da produção de chocalhos com materiais recicláveis. A musicalidade também fará parte das atividades, com a participação de ritmistas do Terno de Congo Nossa Senhora do Carmo, que compartilharão com as crianças os ritmos, cânticos e conhecimentos dessa manifestação cultural.
Entre as protagonistas do Semeando Nossa História estão Lília Clementino e Elaine de Paula, duas mulheres cujas trajetórias estão profundamente ligadas à tradição congadeira de Poços de Caldas. Quarta geração de uma família de congadeiros, Lília é capitã e espadista do Terno de Congo São Jerônimo e Santa Bárbara. Elaine, que participa da congada desde os oito anos, é rainha e bandeireira do Terno de Congo Nossa Senhora do Carmo. Ambas compartilham com os estudantes conhecimentos transmitidos entre gerações e preservados por meio de suas vivências na cultura popular.
A coordenação das ações educativas é de Dani Alvisi, pedagoga, arte-educadora e artista visual, com 25 anos de pesquisa em cultura tradicional, também integrante do Terno de Congo São Jerônimo e Santa Bárbara . A jornalista e produtora cultural Bibi Rodriguez integra a equipe de produção e gestão do projeto, com mais de duas décadas de atuação na área cultural.
Para Dani Alvisi, a presença dos representantes da cultura tradicional no ambiente escolar permite que as crianças reconheçam a história do município a partir das pessoas que fazem parte dela. “Quando uma criança encontra uma congadeira, escuta suas histórias, conhece os significados de uma bandeira e experimenta os ritmos de um terno de congo, percebe que a história de sua cidade também está nas pessoas, nas famílias e nas tradições que fazem parte de sua vida. A escola é um espaço privilegiado para esse encontro entre gerações, onde a memória não é apenas contada, mas vivida e compartilhada”, destaca Dani Alvisi.