Chama atenção o número cada vez maior de crianças com sintomas de ansiedade, estresse, insônia, comportamentos compulsivos e dificuldades emocionais que, há pouco tempo, eram mais comuns entre adultos. Em paralelo, muitos pais e responsáveis relatam exaustão, culpa e uma sensação constante de insuficiência. Estamos diante de uma geração de infâncias atravessadas pela pressa, pela hiperexigência e pela ausência de tempo para simplesmente… ser criança.
Mas o que está acontecendo com nossas crianças?
A Psicologia nos ajuda a entender que a criança é sensível não apenas ao que é dito, mas principalmente ao que é vivido no ambiente familiar. O emocional dos adultos que cuidam delas — mesmo quando não verbalizado — deixa marcas profundas. Uma casa com gritos contidos, tensões constantes ou afetos ausentes pode ser tão impactante quanto uma com conflitos explícitos.
Além disso, a infância de hoje está exposta a um volume de estímulos altíssimo: telas, compromissos escolares excessivos, expectativas por desempenho, pouco tempo livre e poucas oportunidades para brincar livremente. O brincar, aliás, é essencial para o desenvolvimento emocional. Não é “tempo perdido” — é como a criança processa o mundo.
Ao mesmo tempo, muitos pais se sentem sobrecarregados, tentando conciliar trabalho, demandas domésticas, finanças e ainda dar conta da criação dos filhos com sensibilidade. Não é raro que essa exaustão gere culpa e, em alguns casos, distância emocional ou excesso de permissividade — como se compensar a ausência de tempo com a ausência de limites resolvesse a questão.
Mas, o que uma criança mais precisa não é de perfeição. Ela precisa de presença real, escuta, afeto e segurança emocional. Precisa saber que pode sentir medo, tristeza, raivassem que isso a torne errada. Saber que os adultos à sua volta também estão aprendendo.
Cuidar da saúde emocional das crianças passa, necessariamente, por cuidar da saúde emocional dos adultos. Quando um cuidador se permite pedir ajuda, descansar e reconhecer seus próprios limites, ele ensina, com o exemplo, que a vida não precisa ser carregada sozinha e ainda, que ninguém precisa ser forte o tempo todo.
Veruska Matavelli Prata Maziero
Psicóloga- CRP 04/79749
Instagram: @psiveruskamaziero