Poços de Caldas, MG – Na última terça-feira (5), na sede da Associação Afro Ancestral, foi realizado o 1º Circuito Formativo “Territórios da Memória”, projeto que promove espaços de escuta, trocas e reconhecimento entre comunidades afro-brasileiras e de matrizes africanas de distintos territórios de Minas Gerais, valorizando suas interseções e trajetórias de resistência.
Idealizada pelos pesquisadores e produtores culturais Gabriela Acerbi Pereira e Vittor Policarpo Souza Martins, a oficina “Memórias (Em) cruzilhadas” proporcionou ao público alternativas de fortalecimento e conexão entre os territórios afro-culturais, como quilombos, terreiros, reinados e capoeiras da comunidade.
A oficina foi ministrada por Vittor Policarpo, capoeirista da Escola de Capoeira Angola Oxalufã, historiador e mestrando em História pela UFOP e por Thatiele Monic Estevão, quilombola e assistente social formada pela UFOP, que também desenvolve projetos voltados à preservação e manutenção da memória coletiva e ao fortalecimento do patrimônio cultural quilombola.
“Quando pensamos para além dos nossos espaços, construímos essa perspectiva dialógica, educacional e pedagógica e, ao ‘encruzilharmos’ tudo isso, conseguimos chegar um pouco mais longe. Criamos outras formas de linguagem e de expressão para poder moldar o que chamamos de cultura. Além da ideia de preservar, cabe a nós também construir novas possibilidades, novos espaços e acessar novos lugares”, destaca o pesquisador Vittor Policarpo.
O termo “encruzilhar” faz referência aos estudos de Leda Maria Martins, poeta, acadêmica e Rainha de Nossa Senhora das Mercês da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá, que se dedica a entender como a cultura negra se difundiu no território brasileiro e, sobretudo, como os espaços de manifestações culturais afro-brasileiros são encontros de um povo que carrega o sentimento de abandono e privação. Os quilombos, terreiros, reinados entre outras manifestações permitiram que essa cultura sobreviesse e, ao partilhar essa tradição, multiplicaram as comunidades, mantendo-as vivas.
Função social
“Quando idealizo um projeto, penso em qual é a função social da proposta, como vai agregar ao meu território e como vai contribuir com outras temáticas. Porque promoção da igualdade racial não é só falar sobre pessoas negras, povos tradicionais, mas é falar sobre a diversidade”, pontua a assistente social, Thatiele Monic.
O encontro reforçou a ideia de redes de apoio, com a perspectiva de valorizar e melhorar a qualidade de vida das comunidades. “Dentro desse processo, a gente foi agregando várias outras pessoas que hoje, por exemplo, ou estão nesse processo de escrever projetos ou entendem que precisam fazer algo muito maior. Acredito que essa tomada de consciência e essa nossa decisão de sempre pensar qual é o viés social do projeto facilita muito”, conclui Thatiele Monic.
O Circuito Formativo “Territórios da Memória: Acervos Comunitários e Patrimônios Culturais Afro-mineiros” é executado por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do Edital 5 – Capacitações, lançado em âmbito estadual. A proposta do circuito ficou em 3º lugar na classificação geral de sua categoria, confirmando sua relevância para o fortalecimento da cultura afro-mineira.