Hugo PONTES*
Perder um grande amigo é como ver uma parte nossa se desfazer no tempo. A amizade verdadeira é rara — dessas que não pedem explicações, que acolhem no silêncio, que conhecem o nossas alegrias e nossas preocupações.
Quando alguém assim se despede, o mundo muda fica mais triste, mais quieto, mais vazio.
É difícil explicar para os outros o que se perde, porque muitas vezes não é apenas a pessoa — é tudo o que ela representava: os conselhos nos dias difíceis, os olhares que diziam tudo sem uma palavra, as risadas que vinham do nada, as histórias que só faziam sentido entre vocês. É uma ausência que pesa.
A dor que vem com essa perda é profunda. Às vezes é raiva, é culpa, é uma saudade silenciosa que aparece quando menos esperamos — num lugar onde costumavam ir juntos, no vinho que degustávamos e nas discussões sobre futebol. Pode parecer que ninguém entenda. E talvez realmente ninguém entenda da mesma forma que você, porque cada amizade tem sua linguagem única e seu espaço no coração que não se repete.
Mas com o tempo – e esse tempo varia para cada um – a dor se transforma. Ela não some por completo, mas acomoda dentro da gente. Aos poucos, as lágrimas dão lugar ao sorriso leve das lembranças. Aquela história engraçada volta à mente, e você sorri. Aquele conselho ecoa num momento importante, e você sente que, de algum modo, o amigo ainda está presente. E, mesmo, os desentendimentos passageiros em virtude de posições diferentes.
Perder um amigo verdadeiro é uma das experiências mais difíceis da vida, mas é também um lembrete da sorte que foi tê-lo. Existiu a parceria e o companheirismo. Isso ninguém tira. E se há saudade, é porque houve presença. Uma presença real, marcante, viva.
Então, se todos nós sentimos essa perda agora, permita-se e chore se precisar. Fale sobre ele ou ela, escreva, guarde as boas memórias. E, quando estiver pronto, transforme essa dor em homenagem: vivendo com intensidade, sendo leal aos seus valores, amando verdadeiramente, como um amigo de verdade faria por você.
E assim o fazemos pelo nosso sempre amigo José Antônio Mareca.
*Professor, e amigo do Mareca