Poços de Caldas, MG – A tão aguardada audiência pública sobre o futuro das charretes por tração animal, realizada na noite desta quarta-feira (13) na Câmara Municipal, não conseguiu cumprir o objetivo de aproximar as partes envolvidas e construir um consenso. Pelo contrário, o encontro foi marcado por clima de tensão, trocas de acusações e momentos em que o embate verbal quase evoluiu para confronto físico. As discussões foram tantas que o vereador proponente da sessão, Diney Lenon, encerrou a mesma antes de seu final devido a falta de diálogos de lado a lado.
De um lado, os charretistas defendem a continuidade do serviço, afirmando que dependem da atividade para sustentar suas famílias e negando qualquer prática de maus-tratos aos cavalos. Do outro, representantes da causa animal reforçam que não há possibilidade de negociação e que a utilização de animais para tração deve ser encerrada imediatamente.
Clima de confronto
O momento mais crítico ocorreu quando o ex-vereador Silvio Véio, visivelmente exaltado, desafiou um defensor da causa animal para uma briga. O interlocutor não recuou e ambos quase se atracaram no plenário, sendo contidos por pessoas presentes e pela Guarda Civil Municipal, presente no local. Após o encerramento da sessão outro caso de agressão, desta vez mais sério. Lúcio Cassila, defensor da causa animal acusa um charretista de agressão. As imagens circulam pelas redes sociais.
Histórico de polêmicas
O fim do uso de charretes com tração animal é reivindicado há anos por protetores de animais e já foi alvo de diferentes medidas judiciais e administrativas, incluindo suspensões temporárias do serviço.
Esta é a segunda tentativa em um ano da Prefeitura de aprovar um projeto de lei extinguindo a atividade. Na proposta atual, o Executivo prevê o pagamento de uma indenização de R$ 15.180,00 a cada charretista como forma de compensação.
Disputa sobre valores
O projeto, no entanto, já recebeu cinco emendas e duas subemendas apresentadas por vereadores. Entre as alterações sugeridas, está o dobro do valor da indenização, que passaria para R$ 30 mil por profissional.