O secretário de Estado de Comunicação Social de Minas Gerais, Bernardo Santos é um bom camarada. Perdão, camarada e companheiro, não. Bernardo é inteligente e competente. Ninguém pode negar.
Invariavelmente, Bernardo Santos abre as reuniões com as “vinculadas” (as 1001 assessorias de comunicação do Governo), na Cidade Administrativa, lembrando que ele não é um homem de Comunicação, ele é engenheiro. Engenheiro civil!
Isso é ótimo… Bons engenheiros são fortes em matemática e lógica. Certamente, usando da mesma lógica, depois de devidamente bem informado, Bernardo vai mudar sua opinião sobre a forte, revitalizada e ressuscitada imprensa escrita.
Não só em Belo Horizonte, mas principalmente no oceânico interior de Minas, onde “jornais de papel” podem balançar, agonizar, mas não morrem. Muito pelo contrário. São os mais próximos da população.
Bernardo Santos acredita que os dias da imprensa escrita acabaram. Como, antes dele, muitas e poderosas vozes disseram que o cinema iria matar o teatro e o rádio; que o mesmo cinema seria assassinado pela televisão, outra potencial e fatal vítima da Internet e das redes sociais, como os mesmos jornais e revistas.
Bernardo Santos não deve ter lido, por exemplo, um “post” no Instagram do “Doc Press RJ” – plataforma de notícias e conteúdo focado em economia, negócios, política, comunicação e mídia do estado do Rio de Janeiro.
O título é “Queda no uso das redes sociais reabre espaço para mídias tradicionais”. E continua. “TV, rádio, jornais, revistas e mídia externa voltam a ganhar força nas estratégias das marcas em meio à saturação digital”.
Saturação principalmente porque, “entre uma propaganda e mil outras, você consegue ler a notícia ou ver o vídeo que estava procurando”. Isso, sem contar a dispersão entre os milhões de “blogs”, “vlogs”, “podcasts” e “videocasts” que habitam o mundo virtual.
A saturação digital está no próprio formato, em seu espaço ilimitado, onde pulula a poluição visual, confundindo, superando, ofuscando e atrapalhando o trânsito do principal: a informação. Enquanto isso, na mídia impressa, supostamente em extinção, publicidade e informação convivem harmoniosamente, desde seus primórdios, com uma sem invadir o espaço da outra.
Voltando ao texto do “Doc Press RJ”, a queda no tempo gasto pelos brasileiros nas redes sociais começa a provocar mudança silenciosa, mas significativa, no mercado publicitário. O que até pouco tempo era concentrado em “impulsionamentos” e influenciadores digitais, agora começa a se redistribuir entre canais mais tradicionais, como televisão, rádio, jornais impressos e mídia externa.
” No Brasil, jornais e revistas, antes vistos como meios em declínio,
passam a ser usados novamente como ferramentas de construção de marca”. Humberto Filho
Segundo o canal Meio & Mensagem, relatórios mostram que, mesmo com 144 milhões de usuários de redes sociais no país, o tempo médio gasto nas plataformas vem caindo, principalmente entre os mais jovens. Ou seja: estão matando passarinho com tiro de canhão.
De volta ao futuro, pelo passado, essa tendência não é exclusiva do Brasil. Segundo o “Financial Times”, o tempo de uso das redes atingiu o pico em 2022 e caiu cerca de 10% nos países desenvolvidos. O “The New York Times” destacou que esse movimento está levando grandes anunciantes a migrar parte de suas verbas de volta aos meios tradicionais com ênfase especial no impresso, que tem recuperado relevância por ser visto como veículo de credibilidade e profundidade editorial.
Para muitos executivos do setor, jornais e revistas voltam a oferecer algo que as redes não entregam: confiança.
Assim, essa vai para nosso Bernardo Santos: no Brasil, jornais e revistas, antes vistos como meios em declínio, passam a ser usados novamente como ferramentas de construção de marca, influência e alcance. E mais, Bernardo, saiba que assim como “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, na comunicação, impressa e digital, também, formando um belo e eficiente casal.
Outra coisa, Bernardo, em recente reunião com o Sindicato dos Proprietários de Jornais, Revistas e Similares do Estado de Minas Gerais – Sindijori, você, esquecendo-se de que as aparências enganam, fincou estaca no coração e martelou mil pregos no caixão do jornalismo impresso que, no entanto, como pôde ler, continua vivo e serelepe.
Por fim, uma sugestão construtiva. Além de bom engenheiro, tente ser um pouco mais realista e jornalista. Comunicação é ponte, não em ferro e concreto, mas a mais segura.
Forte abraço!
Humberto Alves Pereira Filho – Diretor Executivo Portal e Jornal Cidade Conecta de Nova Lima – Foto: Arquivo Pessoal
CLIQUE AQUI: