Hugo PONTES*
Menotti Del Picchia, poeta brasileiro do período modernista, frequentador de Poços de Caldas, assim se expressou em uma de suas crônicas na qual falava sobre a cidade:
“Poços de Caldas, com a amenidade do seu clima, o esplendor de sua paisagem, a beleza arquitetônica de suas construções e o encanto de sua topografia, é um pedaço de paraíso caído da montanha e que o gênio do homem industrializou”.
Outrora terras do município de Caldas, por causa das águas aqui nascentes, a localidade tornou-se conhecida pelo governo da Capitania de Minas Gerais a partir 1786.
Fundada em 1872, a cidade desenvolveu-se em torno das águas termais sulfurosas. Águas consideradas benditas que aliviavam a dores dos viajantes que por aqui passavam, dos enfermos pobres ou ricos, os quais, desenganados pela medicina, acorriam em busca do último recurso para os seus males: as águas quentes.
Poços de Caldas, situada ao sul do Estado de Minas Gerais, possui clima seco e agradável no verão. Seu inverno não é tão rigoroso quanto o das cidades do sul do país, mas nesse tempo a frequência de visitantes aumenta, pois, a ideia de um frio intenso, a 1.200 metros de altitude, atrai os turistas entusiasmados.
No decorrer dos anos, a cidade ganhou projeção e tornou-se centro das atenções de todos que para cá se dirigiam em busca de descanso e tranquilidade por uma semana, um mês ou mais, uma vez que aqui encontravam excelente clima, boa água e paz de espírito.
Atestam essas afirmações as fotos e os textos em arquivos particulares, bibliotecas e no Museu Histórico e Geográfico, proporcionando ao pesquisador leitura e imagens visualmente fiéis de uma cidade que, a cada dia, se torna mais visitada e admirada pelo turista, pelo viajante e pela população que nela reside e não se cansa de cantá-la em prosa e verso.
Tudo por aqui encanta e surpreende o visitante. Envaidece os que, em todas as épocas, contribuíram para burilar esta joia encravada na Serra da Mantiqueira, orgulho de todos os seus moradores.
Desde o marco de sua fundação, a cidade só progrediu, sem nunca perder a aura de Estância Hidrotermal, mesmo com o processo de mineração e industrialização frutos de suas riquezas naturais, e a urbanização crescente, acelerada e especulativa.
Cantada em prosa e verso, por escritores famosos e viajantes admirados pela beleza da paisagem local, encontramos na obra do poeta mineiro, de Juiz de Fora, Belmiro Braga, que aqui residiu no início da década dos anos de 1930, a singela poesia:
Poços das águas benditas,
Jardim dos cravos e rosas,
Terra das moças bonitas
E das crianças formosas
Daqui só tenho uma mágoa,
Uma dor que me espezinha.
Fui à fonte beber água,
E não encontrei Sinhazinha.
*Professor, poeta e jornalista