Poços de Caldas, MG – O ex-diretor de Turismo da Prefeitura de Poços de Caldas, Hugo Ribeiro Rego, de 48 anos, deixou o presídio na manhã desta quinta-feira (27) após receber liberdade provisória concedida pela Justiça Eleitoral de Belo Horizonte. Ele estava preso desde 13 de agosto, alvo de investigação por supostos crimes de corrupção, estelionato e outras irregularidades envolvendo a oferta de lotes industriais no município.
Decisão judicial e medidas impostas
A decisão que autorizou a soltura foi emitida na quarta-feira (26). O magistrado avaliou que os fundamentos que sustentavam a prisão preventiva não persistiam, autorizando a expedição do alvará. A Justiça frisou que a medida não tem relação com eventual colaboração premiada.
Apesar da liberdade, Hugo deverá obedecer a duas medidas cautelares fixadas pela Justiça:
Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica
Recolhimento domiciliar noturno aos sábados, domingos e feriados
A defesa, representada pela advogada Karla Felisberto dos Reis, confirmou que ele já está cumprindo as determinações.
Caso retorna à Justiça Eleitoral de Poços de Caldas
O processo teve avanço paralelo no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decidiu que a investigação deve seguir na Justiça Eleitoral de Poços de Caldas. A medida foi tomada após conflito de competência entre a Justiça Eleitoral e a 2ª Vara Criminal.
O STJ considerou que o inquérito aponta indícios de possíveis delitos eleitorais ligados ao investigado, o que justificou a transferência. Como o procedimento tramitava sob sigilo, não foram divulgados detalhes sobre quais seriam essas infrações. Caberá agora ao juízo eleitoral conduzir os desdobramentos, avaliar eventuais denúncias e julgar fatos relacionados à legislação eleitoral.
Denúncia envolve filha e firmas de empresários
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou Hugo Rego e a filha dele, de 26 anos, por suposto envolvimento em um esquema de fraudes na falsa oferta de lotes no Distrito Industrial de Poços de Caldas.
Segundo a denúncia, Hugo se apresentava como responsável por um programa de doação de terrenos e exigia pagamentos de empresários interessados em adquirir áreas industriais. Para reforçar a aparência de legitimidade, documentos que simulavam decisões do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Industrial teriam sido utilizados de forma fraudulenta.
As investigações indicam que o prejuízo das vítimas ultrapassa R$ 380 mil, com valores pagos via Pix, cheques e depósitos bancários. Parte significativa teria sido encaminhada diretamente para a conta da filha do investigado, que responde em liberdade pelo crime de corrupção passiva.
O MP atribui aos envolvidos os crimes de estelionato, falsificação de documento público e corrupção passiva, além de solicitar ressarcimento às vítimas e indenização por danos morais coletivos.
Operação “Castelo de Cartas” segue em andamento
A apuração integra a operação “Castelo de Cartas”, conduzida pela Polícia Civil de Poços de Caldas sob coordenação do delegado Cleyson Brene. As diligências continuam, com foco em identificar outros possíveis participantes da suposta rede de fraudes.
A liberdade concedida a Hugo não altera o curso da investigação, que permanece sob análise da Justiça Eleitoral, responsável pelos próximos passos do processo.