Poços de Caldas/MG – A exposição individual de Lucas Ferreira, sob a curadoria de Dalmoni Lydijusse, articula o conceito de “ecologias queer” através de uma série de pinturas inéditas. O artista promove o encontro proposital entre corpo e natureza para investigar as interseções entre gênero, política ambiental e sociologia. A mostra propõe a reconfiguração de territórios naturais e símbolos da cultura pop sob uma ótica contemporânea e dissidente, o que reafirma a presença Queer como parte intrínseca do mundo natural.
Nascido em Poços de Caldas,1996, Lucas é artista plástico e trabalha primariamente com pintura a óleo e acrílica. Formou-se bacharel em Arquitetura e Urbanismo pela PUC Poços em 2019. Durante a faculdade estagiou no espaço cultural Arte Ziriguidum, onde auxiliou em aulas de arte e elaboração de exposições e participava das aulas em atelier nos anos de 2018 a 2019 sob a orientação de Dalmoni Lydijusse. Ainda em 2019 se mudou para São Paulo e desde então se dedica a investigar novas mídias e assuntos, o que o tem levado a desenvolver seu corpo de trabalho atual, foi finalista do Prêmio Garimpo Dasartes 2022 promovido pela Revista Dasartes, e em 2023 selecionado para participar do Laboratório OMA, na OMA Galeria em São Paulo. Em agosto de 2025 inaugurou sua primeira exposição individual na Galeria Retina, também em São Paulo.
Sob o olhar curatorial de Dalmoni Lydijusse, a exposição revela um processo em que corpo e natureza se fundem para tratar da efemeridade e do eterno. Na produção de Lucas Ferreira, indícios de uma “ecologia queer” imantam o espaço e promovem a fabulação entre reinos. O artista impregna o linho cru com uma pintura fluida, na qual a abundância de água transforma a mancha em uma figuração prenhe de sensualidade. Nessa pesquisa, a matéria pictórica busca uma simbiose total: os limites entre o humano e o vegetal tornam-se indistinguíveis, como se um fosse a extensão do outro.
A narrativa curatorial ancora-se no pensamento de Catriona Mortimer Sandilands para desarticular os discursos que estruturam a percepção da natureza em âmbitos éticos e políticos. Ferreira retoma territórios historicamente associados a uma virilidade heteronormativa para neles inserir o afeto e a subjetividade. A obra confronta o apagamento histórico das identidades dissidentes. Este gesto alquímico de fundir reinos, reafirma a união entre corpo e ambiente como um lugar inseparável de acolhimento e amor mútuo.