O mês de fevereiro é marcado pela campanha Fevereiro Roxo, que chama a atenção para doenças neurológicas crônicas e degenerativas, como o Alzheimer. Além de conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento, a campanha também convida a sociedade a olhar para quem cuida diariamente das pessoas acometidas por essas doenças: os cuidadores.
No Brasil, enquanto muitas pessoas associam o início do ano a descanso e recomeços, cuidadores de familiares com Alzheimer enfrentam uma rotina contínua de atenção e dedicação. O cuidado não permite pausas frequentes e, em muitos casos, é realizado sem revezamento, seja pela ausência de apoio familiar, seja pelas limitações financeiras para contratar profissionais. Essa realidade impõe uma sobrecarga física e emocional significativa.
O Alzheimer é uma doença progressiva que afeta a memória, o comportamento e a autonomia da pessoa. Com o avanço dos sintomas, o cuidador passa a lidar com perdas graduais, mudanças de humor, dependência crescente e necessidade de vigilância constante. Essas exigências impactam diretamente a saúde física e mental de quem cuida, aumentando os níveis de estresse, cansaço e sofrimento emocional.
Sob o olhar da psicologia, é fundamental reconhecer que o cuidador também precisa de cuidado. A dedicação integral, o isolamento social e a ausência de momentos de descanso podem levar ao esgotamento emocional, à ansiedade e à depressão. Muitas vezes, o cuidador negligencia suas próprias necessidades por sentir culpa ou por acreditar que deve dar conta de tudo sozinho.
Nesse contexto, o suporte psicológico torna-se essencial. O acompanhamento profissional oferece espaço para acolhimento, orientação e elaboração emocional, ajudando o cuidador a reconhecer limites, lidar com sentimentos difíceis e encontrar estratégias para cuidar sem adoecer. As redes de apoio, formadas por familiares, amigos, grupos de cuidadores e serviços comunitários também são fundamentais para dividir responsabilidades e reduzir o isolamento.
A campanha do Fevereiro Roxo é um convite à conscientização e à empatia. Falar sobre Alzheimer é também falar sobre quem cuida. Valorizar o cuidador, incentivar o autocuidado e promover o acesso ao suporte psicológico são atitudes que fortalecem não apenas quem cuida, mas todo o processo de cuidado. Informar-se, compartilhar responsabilidades e buscar ajuda são passos essenciais para transformar o cuidado em um caminho mais humano e sustentável.
Cuidar de alguém com Alzheimer é um ato de amor profundo, mas também de grande desgaste. Sentir cansaço, solidão ou desamparo é legítimo e humano. Esses sentimentos não diminuem o amor de quem cuida, apenas revelam o quanto essa tarefa exige.
Nenhum cuidador precisa enfrentar esse caminho sozinho. Pedir ajuda, buscar apoio psicológico e dividir responsabilidades não é sinal de fraqueza, mas de cuidado consigo mesmo. Fica o convite para que os cuidadores se permitam ser acolhidos. Cuidar também é saber reconhecer os próprios limites.
Veruska Matavelli Prata Maziero
Psicóloga- CRP 04/79749
Instagram: @psiveruskamaziero