Os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam uma característica marcante da economia brasileira nos últimos meses: a surpreendente capacidade de resistência do consumo. Mesmo diante de um cenário de juros elevados, o comércio varejista nacional alcançou em janeiro o maior nível de vendas já registrado pela Pesquisa Mensal de Comércio, com crescimento de 0,4% em relação a dezembro. O resultado iguala o patamar histórico atingido em novembro de 2025 e mostra que o setor continua sustentando parte importante da atividade econômica do país.
Segundo a análise do gerente da pesquisa, Cristiano Santos, dois fatores ajudam a explicar esse desempenho: a oferta de crédito à pessoa física e o baixo nível de desemprego. Quando o mercado de trabalho se mantém aquecido, com mais pessoas empregadas ou com renda estável, o consumo tende a permanecer ativo. Ao mesmo tempo, a disponibilidade de crédito — ainda que mais caro — funciona como um instrumento que permite às famílias manterem compras e planejamentos financeiros.
Entre os segmentos do varejo, o destaque continua sendo o setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que também registrou crescimento de 0,4% na passagem de dezembro para janeiro, alcançando o maior nível da série histórica da pesquisa. Trata-se de um indicador importante, pois esse segmento está diretamente ligado ao consumo cotidiano das famílias e costuma refletir, com rapidez, as mudanças no poder de compra da população.
Ainda assim, o cenário exige cautela. A manutenção de juros elevados encarece o crédito e pode limitar o consumo ao longo do tempo, especialmente para bens duráveis. Além disso, o endividamento das famílias segue como um fator que precisa ser acompanhado de perto. O desafio para os próximos meses será equilibrar crescimento econômico, controle da inflação e condições favoráveis para o consumo.
Em Poços de Caldas, onde o comércio exerce papel fundamental na geração de empregos e movimentação da economia local, os sinais positivos do varejo nacional são especialmente relevantes. Um ambiente de consumo aquecido tende a estimular pequenos negócios, fortalecer o setor de serviços e ampliar oportunidades de trabalho.
O recorde nas vendas mostra que, apesar das incertezas, a economia brasileira ainda encontra no comércio um de seus motores mais importantes. O desafio agora será transformar esse impulso em crescimento sustentável, garantindo que consumo, emprego e renda continuem caminhando lado a lado.