Poços de Caldas, MG – O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) oficializou nesta quarta-feira (5) o nome do médico e ex-deputado federal Carlos Eduardo Venturelli Mosconi como candidato a vice-governador de Minas Gerais na chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT). A definição foi anunciada pelo presidente estadual do partido, deputado federal Paulo Abi-Ackel, e representa o desfecho das negociações iniciadas ainda em abril entre as duas legendas para a formação de uma aliança na disputa pelo Governo de Minas.
Segundo o PSDB, a composição da chapa foi construída em torno de um projeto político voltado para Minas Gerais, buscando uma alternativa de centro em relação ao cenário nacional. Ao anunciar a escolha, Paulo Abi-Ackel afirmou que o partido optou por apoiar Alexandre Kalil em razão de sua postura política e destacou que Mosconi representa uma das figuras mais importantes da história do PSDB mineiro e nacional, ressaltando sua contribuição para a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) e sua longa trajetória na vida pública.
A escolha recoloca Mosconi no centro da política estadual após décadas de atuação em cargos eletivos e administrativos. Com uma carreira construída na medicina e na gestão pública, o político possui forte ligação com Poços de Caldas, município onde vive desde 1975 e onde consolidou sua carreira profissional e política.
Formado em Medicina pela Universidade de Brasília (UnB), Mosconi realizou residência médica em nefrologia e urologia na Universidade de São Paulo (USP). Também lecionou nas Faculdades de Medicina de Itajubá, Alfenas e na Unifenas, em Belo Horizonte, antes de ingressar definitivamente na vida pública. Em entrevistas, costuma afirmar que a decisão de se estabelecer em Poços de Caldas foi uma das escolhas mais importantes de sua vida, tanto do ponto de vista profissional quanto familiar.
Sua carreira política teve início em 1982, quando foi eleito deputado federal por Minas Gerais. Logo no primeiro mandato assumiu a presidência da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. Paralelamente à atividade parlamentar, ocupou importantes funções administrativas, entre elas a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, a Secretaria Nacional de Assistência à Saúde, a presidência do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps), a presidência da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), a Secretaria de Assuntos Municipais do Governo de Minas e, anos depois, a Secretaria Municipal de Saúde de Poços de Caldas.
Dentro do PSDB, Mosconi também construiu uma trajetória de protagonismo. Foi um dos fundadores da legenda em 1988, presidiu o diretório estadual entre 1988 e 1991 e novamente entre 1998 e 2000. Exerceu ainda a vice-presidência do partido em Minas, participou da direção nacional da sigla e, desde 2011, ocupa a função de secretário-geral do PSDB mineiro. Ao longo da carreira, sempre defendeu uma atuação política voltada às demandas do Sul de Minas e da região de Poços de Caldas, afirmando que nunca teve ambições de construir uma carreira baseada exclusivamente em cargos de projeção nacional.
Um dos capítulos mais relevantes de sua trajetória ocorreu durante os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte. Convidado pelo então líder do MDB, senador Mário Covas, Mosconi tornou-se relator da área da Saúde e participou diretamente da elaboração dos dispositivos constitucionais que estabeleceram a saúde como direito de todos e dever do Estado. O trabalho desenvolvido naquele período resultou na criação do Sistema Único de Saúde (SUS), considerado uma das maiores políticas públicas da história do país.
Mosconi costuma recordar que, durante a Constituinte, enfrentou forte resistência à implantação de um sistema público universal de saúde. Segundo ele, o projeto foi alvo de críticas e dúvidas quanto à sua viabilidade financeira, mas acabou sendo aprovado por unanimidade após amplo processo de debates e audiências públicas realizadas em todo o Brasil. Também destaca que a extinção do Inamps, durante o governo Itamar Franco, representou um passo decisivo para consolidar o SUS como modelo nacional de atendimento à população.
Outro marco de sua atuação parlamentar foi a apresentação da Proposta de Emenda Constitucional nº 29, que definiu percentuais mínimos de investimento em saúde pelos governos federal, estaduais e municipais. Embora a regulamentação tenha levado cerca de uma década para ser concluída pelo Congresso Nacional, a medida estabeleceu a base do financiamento do SUS, ainda que, segundo Mosconi, o sistema continue enfrentando dificuldades decorrentes do subfinanciamento.
Além da saúde, o político participou das discussões que antecederam a implantação do Plano Real durante o governo Itamar Franco. Em seus relatos, destaca que acompanhou de perto as negociações realizadas no Congresso Nacional e lembra que Poços de Caldas teve participação simbólica na história da nova moeda, já que uma das primeiras trocas de cédulas do Plano Real ocorreu na agência do Banco do Brasil do município, conduzida pelo então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso.
Nos últimos anos, Mosconi voltou à administração municipal ao assumir a Secretaria de Saúde de Poços de Caldas durante a gestão do prefeito Sérgio Azevedo. Coube a ele coordenar grande parte das ações de enfrentamento da pandemia da Covid-19 no município, período marcado pela ampliação da estrutura hospitalar, abertura de leitos de UTI, organização da campanha de vacinação e atendimento regionalizado de pacientes. Em declarações públicas, afirmou que Poços conseguiu enfrentar um dos momentos mais difíceis da saúde pública sem necessidade de transferir pacientes por falta de vagas, além de receber moradores de cidades vizinhas durante o período crítico da pandemia.
Em entrevistas recentes, Mosconi também manifestou preocupação com o atual cenário político brasileiro. Para ele, a política vive um período de radicalização e perda de credibilidade, defendendo que o país volte a priorizar políticas públicas voltadas para áreas como saúde, educação, trabalho e qualidade de vida da população.
PAULO VITOR DE CAMPOS
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