Poços de Caldas, MG – Uma trajetória que atravessa oito décadas e se confunde com a própria história da educação e da formação profissional em Poços de Caldas foi celebrada neste sábado (8) pela Escola Profissional Dom Bosco. Fundada em 1946, a instituição comemorou seus 80 anos com uma edição especial da Feira Cultural, mobilizando toda a comunidade escolar em torno da memória, dos valores e das transformações vivenciadas pela escola desde os primeiros trabalhos desenvolvidos com crianças e jovens até a atual estrutura, que atende mais de mil alunos em diferentes níveis de ensino.
A Feira Cultural 2026 foi inteiramente dedicada ao aniversário da Dom Bosco. Ao longo do dia, estudantes, professores, familiares e visitantes percorreram os diferentes espaços da instituição para conhecer trabalhos preparados durante o ano letivo. As exposições foram organizadas de maneira a apresentar não somente acontecimentos marcantes da história da escola, mas também sua identidade pedagógica, seus princípios e a diversidade de atividades desenvolvidas atualmente.
A programação oficial foi dividida entre os períodos da manhã e da tarde e incluiu recepção da Banda Musical, visitação às exposições e, durante a tarde, execução dos hinos Nacional e da Escola, seguida de apresentação da Banda Marcial Dom Bosco.
Para o diretor pedagógico da instituição, Gilvair Messias da Silva, a comemoração representa uma oportunidade de aproximar as atuais gerações dos acontecimentos e personagens que ajudaram a construir a escola. “Todos os alunos, desde o início do ano, estão apresentando para os pais a história da escola, os valores da escola e como a escola se organiza. Temos apresentações desde os pequenos, da Educação Infantil, até o Ensino Médio e os cursos técnicos. Cada sala tem uma exposição a fazer”, explicou.
Segundo ele, o trabalho envolveu diretamente professores e estudantes e transformou o sábado letivo em uma grande celebração dos 80 anos. “Tudo muito bonito, muito preparado, muito organizado pelos professores e pelos alunos. É um dia festivo para a escola. Demos a esta Feira Cultural o tema justamente do aniversário da escola, de seus 80 anos”, afirmou.
Uma história iniciada em 1946
A história da Escola Profissional Dom Bosco começou em 1946 e, conforme relata Gilvair, está diretamente relacionada à atuação do padre Carlos e ao apoio de Maria Aparecida Figueiredo. Antes de existir a estrutura educacional que hoje recebe mais de mil estudantes, a instituição teve origem em uma iniciativa simples de aproximação com crianças e jovens.
Segundo o diretor pedagógico, durante uma missa realizada em um lar de idosos, padre Carlos percebeu que algumas crianças não participavam da celebração.
A observação levou o religioso a procurar uma maneira de se aproximar daqueles meninos. Uma das primeiras iniciativas foi convidá-los para jogar futebol depois da missa.
O contato estabelecido por meio da atividade recreativa foi determinante para o passo seguinte. Padre Carlos passou a considerar a possibilidade de oferecer aos jovens não apenas momentos de convivência, mas também conhecimentos que pudessem contribuir para sua formação e para o aprendizado de uma profissão.
Foi nesse contexto que começaram as atividades artesanais. O padre desenvolvia trabalhos com madeira, enquanto Maria Aparecida Figueiredo colaborava especialmente na parte de acabamento e pintura. Aos poucos, aquilo que havia começado com uma partida de futebol ganhou uma dimensão educativa e profissionalizante. “Foi deste gesto do padre de aproximar aqueles meninos de uma atividade não só lúdica, como também artesanal e de trabalho, que nasceu a Escola Profissional Dom Bosco”, contou Gilvair.
A experiência estabeleceu princípios que permaneceriam ligados à identidade da instituição ao longo das décadas: educação, trabalho, convivência, desenvolvimento de habilidades e preparação dos jovens para diferentes etapas da vida.
De uma iniciativa social a uma escola com mais de mil alunos
Oito décadas depois, a realidade da Dom Bosco ganhou uma dimensão muito maior. Atualmente, segundo Gilvair Messias da Silva, a instituição ultrapassa mil estudantes e oferece uma estrutura educacional que começa nos primeiros anos da infância e se estende ao Ensino Médio e à formação técnica.
Uma das modalidades é a Pré-Escola Integral, desenvolvida em convênio com a Prefeitura de Poços de Caldas e com atendimento durante todo o dia. A escola também oferece Educação Infantil no período da tarde, dentro de sua estrutura particular.
No Ensino Fundamental, o atendimento contempla do 1º ao 9º ano. Uma das características destacadas pela direção está no funcionamento em período integral para estudantes do 6º ao 9º ano. Além dos componentes previstos na formação curricular, esses alunos têm contato com diferentes práticas que ampliam as experiências dentro do ambiente escolar.
Música, tricô, pintura, trabalhos com argila, culinária, crochê e dobraduras estão entre as atividades citadas pelo diretor pedagógico. A música ocupa espaço importante nessa formação, inclusive com a presença da banda da instituição.
A proposta busca preservar uma característica que acompanha a Dom Bosco desde suas origens: associar o conhecimento escolar ao desenvolvimento de habilidades práticas, artísticas e culturais.
Após o Ensino Fundamental, a instituição oferece o Ensino Médio no período da manhã. A formação profissionalizante, elemento presente desde o nascimento da escola, permanece por meio dos cursos técnicos. De acordo com Gilvair, atualmente são oferecidos cursos de eletrotécnica e enfermagem.
Feira Cultural transforma escola em percurso pela história
A amplitude do trabalho desenvolvido ao longo dos 80 anos foi refletida na organização da Feira Cultural. Em vez de concentrar as atividades em um único ambiente, a escola estabeleceu um roteiro de visitação por diferentes prédios, salas e espaços, permitindo que cada etapa de ensino apresentasse sua contribuição para a comemoração.
O roteiro oficial foi estruturado em sete pontos. A visita começava nas proximidades da Fonte Padre Carlos e Dona Maria, onde foi instalado um espaço para fotografias com a mensagem “Eu Amo a Escola Dom Bosco”. Na sequência, o público era conduzido ao prédio destinado ao Ensino Médio e aos cursos técnicos.
Nesse espaço, diferentes turmas do Ensino Médio desenvolveram exposições relacionadas à história e aos valores da instituição. Entre os temas estavam “Ciência, Trabalho e Oração”, “Oficinas e Profissões: Mãos que constroem…”, “80 anos em imagem, som e IA”, “A História da Banda Marcial”, “Livreto – A História da Escola” e “A Cápsula do Tempo”.
A programação também reservou espaço para a formação técnica. Foram apresentados projetos elétricos e robóticos vinculados ao curso técnico em Eletrotécnica, enquanto a área externa recebeu atividades do curso técnico em Enfermagem, incluindo testagens e orientações em saúde.
Memória apresentada por todas as idades
A participação dos estudantes mais novos também foi incorporada ao resgate histórico. No prédio da Educação Infantil e do 1º ano, foram apresentados trabalhos da Educação Infantil, do 1º ano do Ensino Fundamental e da Pré-Escola Integral, tendo como tema maquetes e personagens relacionados à Escola Dom Bosco.
No corredor coberto da entrada do Ensino Fundamental, a programação incluiu um túnel e uma colcha de retalhos produzida pelo 5º ano. As salas do Ensino Fundamental I receberam trabalhos dos estudantes do 2º ao 5º ano.
Até mesmo o refeitório foi incorporado ao percurso comemorativo, recebendo a exposição “Jogos da História da Escola Profissional Dom Bosco”, desenvolvida pelo 4º ano. Já nas salas do Ensino Fundamental II, os estudantes apresentaram trabalhos tendo como eixo a identidade da Escola Dom Bosco.
A diversidade dos trabalhos permitiu que crianças, adolescentes e jovens participassem do aniversário a partir das características de cada faixa etária. Ao mesmo tempo em que os mais novos conheceram personagens e símbolos da escola, os estudantes das séries mais avançadas trabalharam com memória histórica, profissões, tecnologia, música e formação técnica.
O passado dialogando com o presente
A escolha dos temas também evidenciou a preocupação em não transformar a comemoração apenas em uma retrospectiva. Ao lado dos trabalhos dedicados à memória da instituição apareceram projetos envolvendo inteligência artificial, robótica, eletricidade e atividades de saúde.
Esse encontro entre tradição e novas tecnologias sintetizou parte das transformações ocorridas ao longo das oito décadas. A escola que nasceu do desejo de oferecer uma atividade e uma profissão a um grupo de meninos hoje reúne diferentes níveis de ensino e mantém a formação técnica integrada a uma estrutura educacional muito mais ampla.
Ao mesmo tempo, algumas referências às origens permanecem presentes. O trabalho manual, que teve papel fundamental no surgimento da instituição, continua aparecendo nas práticas oferecidas aos estudantes do Ensino Fundamental. A formação profissional também permanece como um dos componentes da escola.
A própria Feira Cultural procurou estabelecer essa ligação entre diferentes gerações. Fotografias, registros históricos, trabalhos artísticos, música, relatos, projetos tecnológicos e produções dos estudantes foram utilizados para contar uma história construída não apenas por seus fundadores, mas também pelos milhares de alunos, professores, funcionários e famílias que passaram pela instituição.
Oito décadas de educação
Ao completar 80 anos, a Escola Profissional Dom Bosco chega a 2026 com uma estrutura bastante diferente daquela que marcou seus primeiros passos, mas preservando, segundo a direção pedagógica, princípios que estiveram presentes desde sua origem.
O pequeno movimento iniciado pelo padre Carlos em 1946, primeiro pela aproximação com os meninos por meio do futebol e posteriormente pelo ensino de atividades com madeira e outros trabalhos artesanais, tornou-se a base de uma instituição que ampliou sua atuação ao longo das décadas.
Para Gilvair Messias da Silva, a Feira Cultural foi justamente uma oportunidade para apresentar essa trajetória às famílias e, principalmente, aos próprios estudantes que hoje fazem parte dela.
A celebração dos 80 anos, dessa forma, ultrapassou o caráter de aniversário institucional. Ao colocar os alunos como protagonistas da apresentação da própria história da Dom Bosco, a escola transformou sua memória em atividade pedagógica e fez da Feira Cultural um encontro entre passado e presente.
De uma iniciativa surgida em 1946 à atual estrutura com mais de mil estudantes, Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e formação técnica, a Escola Profissional Dom Bosco chega às oito décadas reafirmando uma trajetória construída em torno da educação e da preparação de crianças e jovens, mantendo viva uma história iniciada há 80 anos em Poços de Caldas.
PAULO VITOR DE CAMPOS
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