A partir de 28 de agosto, o rádio e a televisão passam a transmitir o horário eleitoral gratuito das eleições de 2026. A palavra “gratuito”, entretanto, descreve apenas a ausência de pagamento direto por candidatos e partidos. Para a sociedade, existe uma conta — e ela é elevada.
As emissoras são compensadas pelo espaço cedido por meio de abatimentos tributários. Neste ano, a renúncia fiscal está estimada em R$ 996 milhões, o maior valor nominal desde 2014. Em 2022, esse mecanismo representou quase R$ 740 milhões. Portanto, aquilo que aparece na tela como espaço gratuito significa, na prática, menos recursos recolhidos aos cofres públicos.
A esse valor soma-se o Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Em 2026, aproximadamente R$ 4,96 bilhões serão distribuídos entre 30 partidos para financiar candidaturas. Somados o fundo eleitoral e a compensação concedida às emissoras, o custo público se aproxima de R$ 6 bilhões — sem considerar outras despesas necessárias para organizar e fiscalizar o processo eleitoral.
É evidente que a democracia possui custos. Eleições livres, fiscalização eficiente e condições mínimas para a apresentação das candidaturas são indispensáveis. Também é importante impedir que apenas candidatos ricos ou apoiados por grandes grupos econômicos tenham acesso aos meios de comunicação. O problema está na falta de equilíbrio, transparência e compromisso com a realidade econômica do país.
Em uma nação que ainda enfrenta dificuldades para financiar saúde, educação, segurança e infraestrutura, cada bilhão destinado às campanhas precisa ser amplamente justificado. Não basta afirmar que o dinheiro fortalece a democracia. É necessário demonstrar como foi utilizado, quais resultados produziu e quais mecanismos impedem desperdícios e favorecimentos.
O horário eleitoral deve servir para apresentar propostas, comparar projetos e informar o eleitor. Quando se transforma em mera repetição de slogans, ataques pessoais ou produções milionárias, perde sua finalidade pública. Da mesma maneira, o fundo eleitoral não pode ser tratado como patrimônio dos partidos, mas como dinheiro do contribuinte sujeito ao mais rigoroso controle.