Defendemos, em outra oportunidade, o fim da reeleição para cargos do Executivo. A proposta, apresentada por um dos candidatos à Presidência da República neste ano, merece ser debatida com seriedade. O motivo é simples: não é justo que quem ocupa o poder tenha a possibilidade de usar a máquina pública para influenciar a disputa eleitoral em benefício próprio.
Embora existam regras para impedir abusos, a realidade mostra que o ocupante do cargo parte de uma posição privilegiada. Tem maior visibilidade, presença institucional e poder para anunciar obras, programas e benefícios justamente em um período em que cada decisão pode ter reflexos nas urnas.
O problema não se limita à desigualdade entre os candidatos. Na tentativa de conquistar votos, governos podem adotar medidas de apelo eleitoral, ampliar despesas e assumir compromissos que nem sempre se sustentam no longo prazo. O resultado pode ser uma conta pesada, deixada para o próximo governante e, em última instância, para o contribuinte.
O fim da reeleição não resolveria todos os problemas da política brasileira, mas seria um passo importante para reduzir as vantagens de quem já está no poder. Governar deve ser uma atividade voltada ao interesse público, e não uma oportunidade para preparar a própria permanência no cargo.
Quem assume uma prefeitura, um governo estadual ou a Presidência da República precisa ter como prioridade a administração responsável, o equilíbrio das contas e a solução dos problemas da população. A avaliação do mandato deve ocorrer pelo trabalho realizado, e não pela capacidade de construir uma campanha eleitoral a partir da estrutura do Estado.
A democracia ganha quando há equilíbrio na disputa, transparência nas decisões e responsabilidade com o dinheiro público. O poder não pode ser tratado como patrimônio de quem o exerce, nem os recursos públicos como instrumentos para garantir a continuidade de um projeto político.
O mandato deve servir à população, não à reeleição de quem governa.