Poços de Caldas, MG – O Jornal Mantiqueira recebeu nesta segunda-feira (31) a visita do médico, ex-deputado, ex-secretário de saúde e atural candidato a vice-governador de Minas Gerais, Dr. Carlos Mosconi. Integrante da chapa encabeçada por Alexandre Kalil, candidato ao Governo do Estado, Mosconi conversou sobre sua trajetória na medicina e na vida pública, sua participação na construção do Sistema Único de Saúde (SUS) e os motivos que o levaram a retornar à disputa eleitoral.
Com uma longa história ligada a Poços de Caldas e ao Sul de Minas, Mosconi afirmou que aceitou o convite para integrar a chapa principalmente por duas razões: a possibilidade de ampliar a participação política da região nas decisões do Estado e a oportunidade de colocar sua experiência, especialmente na área da saúde, a serviço de Minas Gerais.
Durante a visita, o candidato fez uma retrospectiva de sua vida profissional e política. Formado em Medicina pela Universidade de Brasília (UnB), em 1971, realizou residência médica na Universidade de São Paulo (USP). Posteriormente, estabeleceu-se profissionalmente em Poços de Caldas, onde exerceu a medicina e construiu forte relação com profissionais da saúde, pacientes e a comunidade.
Mosconi também teve atuação acadêmica. Foi professor da Faculdade de Medicina de Itajubá e, posteriormente, da Faculdade de Medicina de Alfenas, conciliando durante determinado período as atividades médicas com a docência.
Segundo ele, o interesse pela política surgiu ainda na juventude e foi influenciado pelo ambiente político e social vivido por sua geração. Mosconi recordou o período de desenvolvimento do país associado ao governo de Juscelino Kubitschek e citou também sua proximidade com Tancredo Neves. A tradição política familiar igualmente teve influência em sua trajetória: seu pai foi prefeito de Andradas e deputado, mantendo forte atuação política na região.
Da medicina à Constituinte
A entrada de Mosconi na política eleitoral aconteceu em 1982, quando disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados e foi eleito deputado federal. Mais tarde, renovou o mandato e participou da Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição Federal de 1988.
Mosconi considera aquele período um dos mais importantes de sua carreira pública. Durante a Constituinte, foi indicado para atuar como relator em áreas relacionadas à saúde, meio ambiente e seguridade social, esta última envolvendo também a Previdência.
Na avaliação do médico, a saúde representava uma das principais demandas do país naquele momento, especialmente porque o Brasil ainda não dispunha de um sistema público universal nos moldes estabelecidos posteriormente pela Constituição. “Na Constituinte eu acho que fiz a coisa mais importante da minha carreira política. Fui indicado para ser relator da saúde, do meio ambiente e da seguridade. Foi uma coisa muito forte na minha vida e me dediquei totalmente a isso”, afirmou.
Mosconi destacou sua participação na construção das bases constitucionais que permitiram a implantação do Sistema Único de Saúde. Para ele, a criação do SUS representou uma profunda transformação na estrutura de atendimento à população brasileira.
Posteriormente, durante o governo do presidente Itamar Franco, Mosconi assumiu a presidência do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps).
Segundo relatou, aceitou o convite com a condição de trabalhar pela extinção do instituto, permitindo a consolidação do SUS como modelo nacional de assistência à saúde. “Eu aceitei desde que pudesse extinguir o Inamps para o SUS poder prevalecer. Foi uma atitude que tomei muito consciente e que o presidente Itamar Franco assimilou com a coragem que ele tinha. No meu entendimento, isso deu vida ao SUS”, explicou.
Outro ponto lembrado por Mosconi foi sua participação na discussão do financiamento da saúde pública, especialmente por meio da Emenda Constitucional 29, que estabeleceu parâmetros para a aplicação de recursos públicos no setor.
Além dos mandatos federais, Mosconi também exerceu dois mandatos como deputado estadual e presidiu a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Experiência durante a pandemia
A relação de Mosconi com Poços de Caldas ganhou um novo capítulo quando ele assumiu a Secretaria Municipal de Saúde. O período coincidiu com um dos momentos mais difíceis enfrentados pelo sistema sanitário nas últimas décadas: a pandemia de Covid-19.
Mosconi classificou a experiência como uma das mais duras de sua vida pública. Segundo ele, o cenário era marcado pela incerteza científica, crescimento das internações e necessidade permanente de ampliação da capacidade hospitalar. “Foi um drama. As pessoas ficando doentes, pessoas morrendo no Brasil inteiro e aqui também. Era uma luta porque ninguém sabia exatamente o que fazer. Nós fizemos tudo aquilo que podíamos fazer”, recordou.
Ele ressaltou especialmente o trabalho realizado pelos profissionais da Secretaria Municipal de Saúde e pelas equipes que atuaram diretamente no enfrentamento da pandemia. Mosconi também lembrou a ampliação da estrutura hospitalar para atender pacientes com Covid-19 e a importância regional assumida por Poços naquele período, recebendo pacientes provenientes de outros municípios.
Para o médico, a experiência reforçou ainda mais a necessidade de valorização permanente do sistema público de saúde. “O SUS precisa estar ativo”
Ao analisar o atual cenário da saúde pública, Mosconi defendeu que o SUS não pode ser tratado apenas como uma conquista histórica. Na avaliação dele, é necessário modernizar continuamente o sistema, ampliar sua eficiência e, principalmente, melhorar a qualidade do atendimento oferecido ao cidadão.
“O SUS é uma realidade hoje no Brasil que ninguém pode desmerecer. Mas não basta viver da fama do SUS. O SUS tem que estar ativo e atualizado a cada momento. Não é apenas a questão do financiamento, mas também a qualidade do atendimento que se dá”, afirmou.
A experiência acumulada na saúde foi, segundo Mosconi, uma das razões apresentadas para o convite para ocupar a vaga de candidato a vice-governador na chapa de Alexandre Kalil.
Depois de um período mais afastado da linha de frente eleitoral, ele disse ter refletido antes de aceitar a missão. A possibilidade de contribuir diretamente com políticas públicas de saúde e, ao mesmo tempo, aumentar a presença política do Sul de Minas pesou na decisão.
Sul de Minas busca maior espaço
A representatividade regional foi um dos principais temas abordados durante a visita ao Jornal Mantiqueira. Para Mosconi, apesar de sua importância econômica, populacional e estratégica, o Sul de Minas ainda ocupa espaço inferior ao que poderia ter nas principais decisões políticas estaduais.
Ele acredita que sua presença na chapa representa uma oportunidade para colocar a região em posição de maior destaque no Governo de Minas. “Poços de Caldas, Andradas e essa região nunca tiveram um grande protagonismo na política mineira. Se essas coisas derem certo, vamos ter uma posição importante, que faz jus à importância da nossa região”, declarou.
Mosconi considera que essa representatividade não deve significar uma atuação restrita aos interesses locais. Segundo ele, um eventual governo precisa administrar Minas Gerais como um todo, mas a presença de uma liderança diretamente ligada ao Sul do Estado permitiria maior conhecimento das demandas e potencialidades regionais. “O Sul de Minas, apesar de ser uma região importantíssima do Estado, tem ficado ausente das questões da direção política de Minas Gerais. Acho que agora é o momento de viver uma situação diferente”, avaliou.
Para Mosconi, o eleitorado regional deve considerar a possibilidade de ampliar sua presença nos centros de decisão estaduais. “Se as coisas caminharem bem, estaremos presentes no Governo de Minas, defendendo naturalmente os interesses de todo o Estado, mas também conhecendo e defendendo esta região, de onde somos originários”, afirmou.
Turismo e potencial regional
Além da saúde e da política, Mosconi abordou as possibilidades de desenvolvimento econômico de Poços de Caldas e dos municípios próximos. Entre os setores citados está o turismo, atividade que, na avaliação do candidato, apresenta grande potencial de expansão.
Ele destacou as características geológicas da região e lembrou que territórios de origem vulcânica são explorados turisticamente em diferentes partes do mundo.
Para Mosconi, Poços de Caldas avançou na valorização de suas características naturais, históricas e turísticas, mas ainda existe espaço significativo para crescimento. O fortalecimento do setor, segundo ele, pode contribuir para geração de empregos, movimentação da economia e integração dos municípios da região.
Terras raras exigem responsabilidade
Outro assunto destacado foi o potencial das terras raras existentes na região de Poços de Caldas. Mosconi reconheceu a importância econômica e estratégica desses minerais, cada vez mais demandados pela indústria tecnológica e pela transição energética.
Ao mesmo tempo, ressaltou que qualquer processo de exploração precisa ser conduzido com rigor, planejamento e absoluto respeito às normas ambientais.
Segundo o candidato, o potencial mineral pode representar uma oportunidade de desenvolvimento, desde que seja transformado em benefícios concretos para a população e não resulte em prejuízos ambientais. “Essa questão das terras raras é uma grande riqueza. A abordagem precisa ser feita com muito critério e muito cuidado, sem lesar o meio ambiente. A legislação está aí e precisa ser respeitada. Mas isso também pode trazer melhoria das condições de vida para a nossa população de maneira bastante forte”, declarou.
Mosconi defendeu que desenvolvimento econômico, proteção ambiental e qualidade de vida sejam tratados conjuntamente, especialmente diante da dimensão estratégica que os minerais críticos adquiriram na economia mundial.
Experiência como proposta
Ao resumir as razões de seu retorno à disputa eleitoral, Carlos Mosconi colocou a experiência acumulada ao longo de décadas como uma contribuição que pretende oferecer à chapa de Alexandre Kalil.
Médico, professor, parlamentar constituinte, ex-deputado federal e estadual, ex-presidente do Inamps e ex-secretário municipal de Saúde, Mosconi afirmou que continua vendo a política como instrumento para melhorar as condições de vida da população.
“Eu sempre gostei de medicina, sempre gostei da política e estou voltando a fazer aquilo que tenho gosto de fazer e que sei fazer, que é colaborar para o desenvolvimento da região, mas principalmente para o bem-estar do ser humano que vive aqui”, afirmou.
A pouco mais de um mês das eleições de 4 de outubro, a participação de Mosconi na chapa coloca também a representação do Sul de Minas entre os argumentos apresentados pela candidatura. Para o ex-parlamentar, uma eventual presença no Governo do Estado abriria uma oportunidade para aproximar a região das principais decisões políticas de Minas Gerais. “É uma região importantíssima e pode contribuir muito para o desenvolvimento não apenas daqui, mas também do Estado de Minas Gerais como um todo”, concluiu.
PAULO VITOR DE CAMPOS
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