Poços de Caldas, MG – A série de entrevistas do Jornal Mantiqueira com candidatos de Poços de Caldas nas eleições de 2026 recebe nesta edição Diney Lenon, do Partido dos Trabalhadores (PT). Professor, cientista social, ex-diretor de escola e vereador por dois mandatos, ele apresenta uma trajetória fortemente vinculada à educação pública, ao movimento sindical e às organizações populares como credenciais para a disputa eleitoral.
Ao falar sobre sua história, Diney retorna à infância em Poços de Caldas e faz questão de apresentar um percurso distante de uma trajetória linear. Conta que cresceu no bairro São José, nas proximidades do Colégio Municipal e da antiga Fepasa, em uma época em que as ruas faziam parte do cotidiano das crianças e adolescentes. “Brinquei muito nas ruas perto do Colégio Municipal, ali na antiga Fepasa, joguei muita bola na rua”, recorda.
A educação, que posteriormente se transformaria em uma das principais referências de sua vida profissional e política, também foi marcada por dificuldades. Diney estudou na Escola Estadual David Campista até a antiga sétima série. Aos 12 anos, acabou deixando a instituição após ser expulso, episódio que relata de maneira descontraída ao admitir que era um estudante bastante inquieto.
Depois disso, ficou alguns anos afastado dos estudos. A retomada aconteceu somente aos 19 anos, quando, segundo ele, já encarava a vida de outra maneira.
Retorno aos estudos mudou trajetória
Foi no Centro Estadual de Educação Continuada (Cesec) que Diney encontrou a oportunidade de reconstruir sua relação com a escola. Ele atribui aos professores que encontrou nesse período uma participação importante na mudança de rumo. “Passei a ter contato com professoras e professores que marcaram muito minha vida, que me deram bons conselhos, boa orientação, e aí eu decidi voltar a estudar para valer”, relata.
Concluiu no Cesec os ensinos fundamental e médio e, posteriormente, ingressou no curso superior. Aos 20 anos, conseguiu uma bolsa de estudos e passou a cursar Ciências Sociais em São João da Boa Vista.
A formação como cientista social abriu caminho para uma carreira diretamente relacionada à educação. Diney prestou concurso público para a Prefeitura de Poços de Caldas, foi aprovado em primeiro lugar e começou a trabalhar como professor de Sociologia no Colégio Municipal Dr. José Vargas de Souza.
Ainda durante a faculdade, já havia iniciado uma aproximação com a organização estudantil, chegando à presidência do diretório acadêmico. A experiência seria seguida pela atuação sindical depois de seu ingresso no serviço público.
Da sala de aula ao movimento sindical
Como servidor municipal, Diney passou a participar das mobilizações dos trabalhadores e aproximou-se do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais. Ele calcula que sua trajetória ligada às lutas sindicais e aos movimentos dos trabalhadores já ultrapasse duas décadas.
Posteriormente, prestou concurso para a rede estadual de ensino e retornou a um lugar emblemático de sua própria história: a Escola Estadual David Campista.
O menino que havia deixado a instituição aos 12 anos retornava, anos depois, como professor.
A passagem ganhou um novo capítulo quando surgiu a oportunidade de concorrer à direção da escola. Após aproximadamente dois anos trabalhando na unidade, Diney participou da eleição para diretor, venceu a disputa e assumiu a gestão.
Depois do primeiro mandato, candidatou-se novamente e foi reeleito. Ao todo, permaneceu seis anos na direção do David Campista, experiência que considera uma das mais importantes de sua formação.
Diney compara a administração da escola à gestão de uma pequena cidade. Segundo ele, eram aproximadamente 1,4 mil alunos e 113 servidores sob a estrutura administrativa da instituição. “Eu gosto de brincar que ali eu administrei uma cidadezinha desse tamaninho, com 1.400 habitantes e 113 servidores”, afirma.
Para o candidato, a experiência proporcionou uma visão mais abrangente sobre a educação pública, acrescentando a perspectiva administrativa à vivência que já possuía como estudante, professor e militante sindical.
Atuação estadual na educação
Foi também nesse período que sua participação no movimento sindical da educação ganhou maior dimensão. Diney passou a atuar no Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais e integrou sua direção estadual.
A participação em movimentos sociais, mobilizações de servidores e debates sobre políticas educacionais ampliou sua exposição pública. Com isso, segundo relata, começaram a surgir incentivos para que disputasse uma cadeira na Câmara Municipal.
A decisão resultou na entrada definitiva na política institucional.
Na primeira candidatura a vereador, Diney foi o candidato mais votado de Poços de Caldas. Posteriormente, disputou a reeleição e ampliou sua votação. Foram seis anos exercendo mandato no Legislativo municipal.
Para ele, a trajetória política não pode ser separada das experiências anteriores na escola, no sindicato e nos movimentos sociais. É a soma dessas diferentes etapas que, segundo Diney, define sua maneira de atuar na vida pública.
O papel do Legislativo
Na entrevista, Diney dedica parte importante de sua argumentação a explicar o papel de um parlamentar. Segundo ele, campanhas para o Legislativo frequentemente acabam contaminadas por promessas que, na realidade, pertencem às atribuições do Poder Executivo.
Na avaliação do candidato, é preciso deixar claro ao eleitor que deputados não exercem as mesmas funções de prefeitos, governadores ou presidentes.
O parlamentar, destaca, participa da elaboração das leis, fiscaliza o Executivo, analisa o orçamento e decide sobre questões que podem produzir consequências diretas na vida da população.
Entre os exemplos apresentados por Diney estão decisões envolvendo patrimônio público, serviços de água e energia, investimentos em universidades e políticas públicas de saúde e educação.
Para ele, é nesse momento que as posições políticas dos parlamentares precisam ficar evidentes.
Fiscalização e independência
Diney afirma que pretende transportar para uma eventual atuação parlamentar a postura que diz ter adotado durante seus seis anos na Câmara de Poços de Caldas.
Entre as características que destaca estão independência política, fiscalização do governo e atuação combativa em questões nas quais identifica conflitos entre os interesses da população e de grupos econômicos ou políticos mais poderosos.
Na sua avaliação, entretanto, o mandato parlamentar não pode ficar restrito às votações realizadas dentro do Legislativo.
Diney considera que existe uma dimensão política mais ampla, especialmente para parlamentares ligados aos movimentos populares. Um mandato, segundo ele, pode funcionar como estrutura de apoio e organização para trabalhadores e grupos que muitas vezes não possuem instrumentos próprios de representação.
Ele cita, como exemplo, a possibilidade de oferecer apoio e assessoria a trabalhadores de municípios onde determinadas categorias não contam com sindicatos estruturados.
Mandato aberto aos movimentos
Essa proposta de aproximação com as bases sociais aparece como uma das principais ideias defendidas pelo candidato. Diney diz pretender construir um mandato aberto às organizações populares e capaz de transformar demandas surgidas desses grupos em iniciativas políticas e legislativas.
Para ele, a capilaridade proporcionada por um mandato permite estabelecer contato com diferentes cidades, categorias profissionais e movimentos sociais, criando uma rede que ultrapassa a atuação institucional do parlamentar. “Eu gostaria muito de ter um mandato aberto para essas ações de fortalecimento da organização popular”, resume.
A intenção, afirma, é manter a linha de atuação construída ao longo dos anos como professor, sindicalista, diretor escolar e vereador.
Redes sociais como ferramenta política
Diney também atribui papel central às redes sociais na atual campanha eleitoral. Para ele, as plataformas digitais se consolidaram como uma das principais ferramentas contemporâneas de comunicação política e de contato direto com o eleitor.
A estratégia é utilizar esses canais não apenas para divulgação eleitoral, mas para apresentar posicionamentos, debater propostas e ampliar o diálogo com apoiadores.
Ao mesmo tempo, sua campanha busca associar a atuação digital ao chamado trabalho de base, conceito recorrente em sua entrevista e relacionado à aproximação direta com trabalhadores, movimentos sociais e comunidades.
Campanha em dobradinha
Na reta final da entrevista, Diney Lenon também detalhou a estratégia eleitoral adotada na campanha e destacou que seu projeto não está sendo construído de maneira isolada. Ele afirmou que trabalha em parceria com Rogério Correia, formando uma dobradinha dentro do PT e do campo progressista.
Segundo Diney, a proposta é apresentar ao eleitor um conjunto de candidaturas alinhadas politicamente e comprometidas com o mesmo projeto. Durante a entrevista, ele reforçou diretamente o apoio a Rogério Correia para deputado federal. “Eu estou pedindo voto junto com o Rogério Correia. Então, a gente é uma dupla, é um trabalho casado”, afirmou.
Diney também fez questão de apresentar os números aos eleitores. Rogério Correia disputa uma vaga de deputado federal com o número 1313, enquanto Diney Lenon concorre com o número 13513.
Ao explicar a composição, Diney associou os números ao próprio Partido dos Trabalhadores e à candidatura presidencial apoiada pelo grupo. “O Rogério Correia é federal, 13 e 13, é Lula duas vezes. Depois você vai votar para deputado estadual, 13.513”, declarou.
O candidato acrescentou que a intenção é manter a sequência de votos dentro do campo progressista, fortalecendo candidatos que, segundo ele, estarão comprometidos com o projeto político defendido pelo grupo.
Pedido de apoio
Ao encerrar a entrevista, Diney dirigiu-se diretamente aos eleitores e afirmou que a campanha depende da participação de pessoas que se identifiquem com sua trajetória e com a proposta de construção de um mandato ligado aos trabalhadores e aos movimentos populares. “Nós temos trabalhado bastante e todo mundo que está assistindo esse vídeo pode parar e pensar: eu quero contribuir para que esse mandato seja nosso”, disse.
PAULO VITOR DE CAMPOS
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