Poços de Caldas, MG – Incentivar meninas a enxergarem a ciência como uma possibilidade concreta de formação profissional, pesquisa e transformação social é a proposta do projeto “Ciência, coisa de menina”, iniciativa criada em 2022 que vem ampliando sua atuação pelo país e aproximando estudantes do Ensino Médio das carreiras ligadas às áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, conhecidas pela sigla STEM.
O trabalho desenvolvido pelo programa também ganhou reconhecimento em Poços de Caldas. As professoras Aniele Dias de Lima, Andrea Dalva Ribeiro Campos e Renata Piacentini Rodriguez foram indicadas para receber Voto de Congratulações da Câmara Municipal pela atuação no projeto e pela contribuição para incentivar meninas e jovens mulheres a ingressarem nas áreas científicas. O Voto de Congratulações foi concedido pelo vereador Diney Lenon.
Atualmente, o “Ciência, coisa de menina” possui atuação em oito estados: Minas Gerais, Pará, Alagoas, Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro. O público é formado por meninas do Ensino Médio de escolas públicas e de comunidades quilombolas, que participam de um programa anual de mentoria científica. A iniciativa atende aproximadamente 400 meninas por ano, com atividades destinadas a ampliar a percepção das estudantes sobre as carreiras científicas e mostrar que a universidade não representa apenas uma possibilidade de formação profissional, mas também uma porta de entrada para a pesquisa e para a produção do conhecimento.
Bolsas ajudam estudantes em situação de vulnerabilidade
O programa está estruturado em polos e procura criar condições para que as participantes tenham contato contínuo com o universo acadêmico e científico.
Em cada polo, dez estudantes em situação de vulnerabilidade social recebem bolsa mensal de R$ 300, permitindo maior dedicação às atividades propostas. O programa também mantém estudantes de graduação como tutoras em STEM e oferece bolsas a professores da educação básica envolvidos na coordenação das ações nas escolas participantes.
O objetivo é estabelecer uma ligação entre universidade e escola pública, fazendo com que as estudantes tenham contato com pessoas que já estão inseridas no ambiente acadêmico e possam compreender melhor as possibilidades oferecidas pelas carreiras científicas.
A formação de cada turma se estende por 12 meses. Entre as ações estão atividades de formação científica, produção de materiais de divulgação científica, palestras com cientistas brasileiras e conteúdos relacionados ao letramento racial e ao enfrentamento da violência de gênero. O projeto também promove formação gratuita em letramento científico para professores de escolas públicas.
Projeto nasceu da atuação de professora da Unifal
A idealizadora e coordenadora nacional do “Ciência, coisa de menina” é Renata Piacentini Rodriguez, professora da Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG), no campus de Poços de Caldas, desde 2010.
Sua trajetória acadêmica está relacionada à pesquisa nas áreas de STEM, especialmente engenharia ambiental e bioenergia. Renata também atua como vice-diretora do Centro Paulista em Estudos em Biogás e Bioprodutos (CP2B), sediado na Unicamp, onde é pesquisadora visitante convidada.
A atuação da professora se estende ainda a iniciativas relacionadas à participação feminina e ao enfrentamento das desigualdades. Ela é conselheira da Rede Mulheres do Biogás e fundadora e presidente do GEMA – Grupo de Enfrentamento e Mobilização contra o Assédio da Unifal-MG. Entre 2019 e 2021, integrou o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Poços de Caldas e também está entre as idealizadoras do canal de divulgação científica Cienplifica.
Professoras de Poços participam da iniciativa
Ao lado de Renata, a participação das professoras Aniele Dias de Lima e Andrea Dalva Ribeiro Campos reforça a conexão entre universidade, escola pública e comunidade.
Natural de Poços de Caldas, Aniele realizou sua formação básica no Colégio Municipal e posteriormente graduou-se em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas. Sua trajetória profissional inclui atuação no Projovem Urbano, na rede municipal de ensino, na pesquisa como bióloga e no Setor de Projetos da Secretaria Municipal de Educação. Desde 2014 é servidora concursada e atualmente trabalha no Colégio Municipal, instituição onde também estudou.
Andrea Dalva Ribeiro Campos iniciou sua trajetória profissional na educação em 2007. Graduou-se em Pedagogia pela PUC Poços de Caldas e, posteriormente, em Educação Artística. Também possui pós-graduação em Psicopedagogia Institucional e Clínica e em História e Cultura Afro-Brasileira.
Ciência como espaço também para meninas
Um dos principais desafios enfrentados pelo programa é contribuir para a redução de barreiras históricas que dificultam uma participação mais ampla das mulheres em determinadas áreas do conhecimento.
A proposta não se limita, portanto, a apresentar profissões. Por meio de mentorias, palestras, atividades de pesquisa, formação e divulgação científica, o programa procura despertar talentos e fazer com que as estudantes reconheçam a universidade e a ciência como espaços aos quais também podem pertencer.
Essa atuação conjunta entre profissionais da universidade e da educação básica é apontada como um dos pontos importantes do projeto, uma vez que permite acompanhar as meninas durante um período prolongado e oferecer referências femininas ligadas ao universo científico.