14:48 - Sexta-Feira, 27 de Março de 2026

-

14:48 - Sexta-Feira, 27 de Março de 2026

De boca aberta

Data da Publicação:

14/01/2023

Hugo Pontes
Professor, poeta e jornalista

Sempre que necessário estaremos boquiabertos em relação aos fatos que precisam ser denunciados e, ou, mostrados.
Há um velho discurso em que o foco é dizer que “para governar é preciso fazer alianças”.
Com isso, naturalmente, rasgam-se os manuais e o discurso supera a ideologia, a filosofia. E, assim, os preceitos ético-partidário, os interesses coletivos e dos eleitores são varridos para o fundo do poço.
Rasgadas todas as convenções, tem lugar o fisiologismo, os interesses grupais e os individuais daqueles que se aboletam no poder a cada quatro anos, pois – pela falta de coerência política – os eleitores percebem e – com seus votos – varrem os governantes de plantão os quais – colocados pela população crédula (prestem a atenção: crédula e não burra como muitos costumam adjetivar), fazendo o discurso do “vamos fazer diferente”, “vamos atender aos reclamos da sociedade”, “vamos aproveitar os funcionários de carreira”, “vamos economizar”, “vamos usar o dinheiro público com parcimônia” e assim vamos…
Infelizmente o personalismo fala mais alto. O compadrio esvazia qualquer ideologia.
E nisso pecam todos os partidos. Daí o não-envolvimento da população nas questões partidárias e governamentais. Daí vem o sinônimo para político: ladrão, corrupto, safado, falso, oportunista e tantos outros impublicáveis, mas que todos imaginam quais sejam.
Resultados como o do Mensalão, Lava a Jato ou Lava Jato(?) ou outras CPIs mostram o quanto o povo se decepciona com os atos do Executivo e do Legislativo.
Por sua vez, o Judiciário, tentando moralizar o quadro caótico existente, muitas vezes é taxado de radical e tendencioso, numa busca casuística de desautorizar as suas ações.
Pelo lado político-partidário, sente-se o esfacelamento das doutrinas de todos os partidos que – a cada reunião eleitoreira e de conchavos – busca a sua aliança com o vencedor. Para tanto, tais agremiações tornaram-se federações partidárias e, em cada Estado, a cada eleição um arremedo de representantes do povo.
O resultado acaba sendo o que vimos neste início de 2023, início de novo governo. Um momento caótico, que merece o repúdio de toda a sociedade, ocasião em que o radicalismo, a ignorância conduziu um grupo de terroristas para invadir a Praça dos Três Poderes, em Brasília-DF e depredar todos os prédios em uma atitude raivosa e ignorante, sem mesmo que essa horda soubesse o que estavam fazendo contra as normas constitucionais.
Se dúvida, foi uma afronta ao país, aos governantes e sobretudo ao povo que, em última análise, é quem paga a conta através dos impostos que são cobrados desde a compra de uma agulha, um quilo de feijão, ou de um automóvel.

Leia Também

O BRASIL DA ATUALIDADE

21/03/2026

Hugo PONTES* O Brasil gosta de anunciar avanços, mas raramente enfrenta suas falhas de maneira honesta. Embora indicadores sociais e econômicos sejam usados como prova de progresso, a realidade cotidiana

foto-valentino-voce-e-eu-alem-do-arco-iris-19-03-26

VALENTINO… VOCÊ E EU ALÉM DO ARCO IRIS

19/03/2026

Marco Antônio de Figueiredo Articulista, Advogado e Jornalista   Um dia eu vou te encontrar de novo, meu neto Valentino. Guardo essa certeza com a mesma delicadeza com que se

Segredo de justiça: proteção impunidade?

17/03/2026

Júlia Márcia Manata Pontes Estudante de Direito O princípio da publicidade é um pilar da democracia onde os atos do Judiciário devem ser transparentes para que a sociedade possa fiscalizá-los.

Quaresma: o que o silêncio revela? — um olhar psicanalítico sobre o tempo de recolhimento

16/03/2026

A Quaresma, período que antecede a Páscoa, é tradicionalmente compreendida como tempo de penitência e preparação espiritual. Mas, se deslocarmos o olhar para a além da tradição cristã, o que

Educação e Mercado de Trabalho no Brasil

13/03/2026

Hugo PONTES* A relação entre educação e mercado de trabalho no Brasil sempre foi marcada por contrastes. Embora o país tenha avançado significativamente no acesso à educação nas últimas décadas,

Por que invadir a sua casa

11/03/2026

Hugo PONTES* Quando pensamos em invasão, imaginamos portas arrombadas. Mas, no mundo de hoje, a invasão da casa quase nunca acontece assim. Ela é silenciosa. Vem por meio de leis,

Login de Assinante

Ainda não é assinante?

Ao se tornar assinante, você ganha acesso a matérias e análises especiais que só nossos assinantes podem ler. Assine agora e aproveite todas essas vantagens!