Poços de Caldas, MG – Indígenas, ciganos, quilombolas, educadores e todos os interessados em promover uma educação realmente antirracista se reuniram na última terça-feira (5), no Espaço Cultural da Urca, em Poços de Caldas, para o seminário “Escuta Necessária para uma Educação Antirracista Plural”. Durante todo o dia, a temática foi debatida por meio de palestras, roda de conversa, relatos de experiência e apresentações culturais.
Idealizado pelo núcleo de Modalidades e Temáticas Especiais e Diretoria Educacional da Superintendência Regional de Ensino e Rede de Promoção da Igualdade Racial, o seminário foi realizado em parceria com as Secretarias Municipais de Educação e de Assistência Social de Poços de Caldas, tendo como objetivo ampliar o diálogo e a reflexão sobre práticas pedagógicas que promovam uma educação antirracista e plural, no âmbito da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ).
O evento foi brilhantemente conduzido pelos mestres de cerimônia Maria Carolina Fernandes Sebastião e Aldo Vieira e contou com apresentações culturais do mestre Luizinho, Vanderlei e estudantes da Escola Municipal Alvino Hosken; Toré da Escola Estadual Indígena Kiriri Ibiramã do Acre; Música e Dança Cigana do Segmento Calon, além de exibição do vídeo “Colcha de Retalhos”, da Comunidade Quilombola dos Barreirinhos e relato de experiência com o vice-diretor da Escola Estadual Pedro Saturnino de Magalhães, em Cabo Verde, Eduardo de Oliveira.
Participaram da solenidade de abertura o prefeito Paulo Ney; a secretária municipal de Assistência Social, Marcela Carvalho; a secretária adjunta de Educação, Devorie Guerra; o secretário municipal de Cultura, Nando Gonçalves; o vereador Tiago Braz; o representante da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e do SINAPIR, Clever Alves Machado; a diretora da Superintendência Regional de Ensino de Poços de Caldas, Noêmia de Lourdes Furtado; e a coordenadora da Divisão de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial e Étnica, Nanci de Moraes.
Homenagem
Durante a sua fala, o prefeito Paulo Ney agraciou o jornalista Roberto Tereziano com a maior honraria da Prefeitura, a Comenda Dom Pedro II. “Nada mais justo que agraciar o grande amigo Roberto Tereziano com a mais alta honraria da Prefeitura, a Comenda Dom Pedro II. Ele é a história viva da nossa cidade, referência no jornalismo, na cultura e no movimento negro. Aproveitamos a realização do seminário de educação antirracista para celebrar toda a relevância do Tereziano para o município e região”, destacou o prefeito Paulo Ney.
Palestras
As palestras do evento ficaram a cargo de Clever Alves Machado, que abordou as políticas públicas de promoção da igualdade racial e étnica, e Adriana Barbosa, fundadora do Instituto Feira Preta, considerada uma das mulheres negras mais influentes do mundo, segundo o Mipad, premiação mundial reconhecida pela ONU.
“Uma educação antirracista precisa ser uma educação de escuta e observação, de busca de conhecimento e de revisão de valores. Penso que o caminho se abre quando a gente para para ouvir e entender o que as crianças negras, indígenas e ciganas passam dentro do ambiente escolar. É fundamental não minimizarmos as dores dessas crianças e valorizar e desmistificar essas culturas”, ressaltou a coordenadora da Divisão de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Étnica, Nanci de Moraes.
Já a secretária municipal de Assistência Social, Marcela Carvalho, enfatizou que momentos de discussão como o seminário são fundamentais para melhorar e humanizar o processo de escuta, com impactos positivos eficazes na qualidade dos serviços e ações. “Nossa proposta é trabalhar para uma sociedade mais igualitária e antirracista”, sintetizou.
Para a secretária adjunta de Educação, Devorie Guerra, a abordagem do tema educação antirracista é bastante complexa, mas é compromisso dessa gestão seguir debatendo essa temática, juntamente com a Secretaria Municipal de Assistência Social.
A programação contou também com uma roda de conversa com o tema “Impacto das Leis Antirracistas e Povos Tradicionais na Educação”, com mediação de Beatriz Sales da Silva e participação dos professores Lucas Santos e Antônio Tadeu Menezes de Andrade; da educadora e mulher indígena do povo Kiriri do Acre, Roseni Ramos de Souza; da conselheira nacional de Povos e Comunidades Tradicionais no Ministério do Meio Ambiente e cigana do segmento Calon, Maura Ney Piemonte; e da liderança quilombola da Comunidade Barreirinho, Marcinéia da Silva.
“Esse seminário é fundamental para que a gente continue levantando essas questões e discutindo as ações não só para a comunidade negra e quilombola, mas também para a comunidade cigana e indígena. Temos uma ferida muito grande nesse país, que é o racismo e esse é o momento para que essas comunidades tenham voz e vez na sociedade”, finalizou a coordenadora da Divisão de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Étnica, Nanci de Moraes.