03:27 - Sábado, 19 de Setembro de 2026

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Agosto Lilás: Escutar, Acolher, Transformar

Data da Publicação:

11/08/2025

Agosto Lilás é um marco no cenário social brasileiro, quando o mês é dedicado à conscientização pelo fim da violência contra a mulher. O mês foi escolhido em referência à promulgação da Lei Maria da Penha, em agosto de 2006, e tem como objetivo informar, prevenir e combater todas as formas de agressão contra mulheres.
A violência contra a mulher não se manifesta apenas por meio de agressões físicas. Ela pode ser psicológica, moral, patrimonial, sexual ou até mesmo institucional. Muitas vezes, os sinais visíveis são apenas reflexos de uma dor silenciosa, marcada pelo medo, vergonha, isolamento e uma autoestima fragilizada. Mulheres que vivenciam esse tipo de violência frequentemente enfrentam quadros de ansiedade, depressão, estresse pós-traumático, além de sentimento de culpa e de desesperança. A dependência emocional, somada a fatores como a dependência financeira, pode manter essas mulheres presas em um ciclo de violência difícil de romper.
Nesse cenário, a atuação da psicologia é fundamental. O atendimento psicológico não se limita a ouvir a dor da vítima, mas sim a oferecer um espaço seguro onde ela possa se sentir acolhida, compreendida e respeitada. É nesse ambiente que muitas mulheres começam a reconstruir sua autoestima, retomar sua autonomia e ressignificar sua história de vida. A escuta qualificada e livre de julgamentos é essencial para que o processo terapêutico se torne uma ponte entre a dor e a possibilidade de mudança. O trabalho com vítimas de violência demanda sensibilidade e ética, além de um compromisso real com o fortalecimento emocional da mulher.
Paralelamente ao trabalho clínico, a psicologia também atua na prevenção por meio da psicoeducação. Levar informações à comunidade, discutir relações saudáveis, desconstruir padrões machistas e falar abertamente sobre o ciclo da violência são estratégias fundamentais para a transformação social. A psicologia, nesse sentido, contribui para romper com uma cultura de silenciamento e normalização da agressão. É por meio da educação e da conscientização que se começa a prevenir novos casos.
A violência contra a mulher deve ser compreendida como uma questão social, cultural e de saúde pública. Combatê-la exige políticas públicas eficientes, fortalecimento da rede de apoio e engajamento de toda a sociedade. A psicologia, com seu olhar atento às subjetividades e à construção de vínculos, tem muito a contribuir nesse enfrentamento.
Que o agosto lilás se torne, de fato, um chamado à ação contínua com o acolhimento e, principalmente, com o respeito à vida das mulheres. Que o laço lilás não seja apenas um adereço simbólico, mas o início de uma mudança profunda, individual e coletiva. Porque enquanto houver uma mulher com medo e sofrendo violência, nenhuma de nós estará realmente segura.
Se você está sofrendo violência ou conhece alguma mulher que esteja, busque informação sobre os lugares de atendimento psicológico e jurídico à mulheres vítimas de violência.

 

Veruska Matavelli Prata Maziero
Psicóloga- CRP 04/79749
Instagram: @psiveruskamaziero

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