11:27 - Sexta-Feira, 27 de Março de 2026

-

11:27 - Sexta-Feira, 27 de Março de 2026

Apagão de professores: teremos professores na escolarização básica daqui a 20 anos?

Data da Publicação:

12/08/2025

O termo “apagão de professores” vem sendo utilizado para designar a iminente falta de professores para atender à demanda por escolarização.
O risco de “apagão” é real. Fatores como a baixa remuneração levam a dois problemas centrais: o esvaziamento da carreira docente entre os jovens e o envelhecimento do corpo docente.

Dados preocupantes
No artigo “ O ‘apagão’ docente: quem educará as novas gerações”, os autores abordam a atração e permanência de jovens na docência. Eles argumentam que, há quase vinte anos, já se alertava para as dificuldades do magistério como “salários aviltantes, desvalorização profissional, imagem social ambígua dos professores e baixa autoestima.
Ao examinar a série histórica de 2007 a 2021 sobre a faixa etária dos docentes na educação básica brasileira, os autores verificaram que a proporção entre professores em final de carreira (com 50 anos ou mais) e professores iniciantes (até 24 anos) atingiu, em 2021, a marca de quase 8 para 1.
Em 2007, havia 114.364 professores iniciantes (com até 24 anos) contra 223.388 professores com 50 anos ou mais. Em 2021, o cenário mudou drasticamente: o número de iniciantes caiu para 67.071, enquanto o de professores em final de carreira saltou para 525.075.
Atratividade e permanência na carreira docente
Os pesquisadores observam que a carreira docente não tem sido uma opção atrativa devido a dois fatores principais: o acúmulo de papéis e responsabilidades impostos por reformas sobre as quais os professores não foram consultados, e a desvalorização salarial.
A degradação do status econômico do professor resulta em frustração pessoal e desafeição com o próprio trabalho. Para reverter esse cenário, os pesquisadores apontam a necessidade de revisar o excesso de burocracias e reformismos, além de implementar políticas eficazes de remuneração e valorização profissional.

O que fazer?
Para atrair e reter novos talentos ao magistério, é fundamental que a carreira docente ofereça condições materiais mais vantajosas. Isso envolve uma série de requisitos cruciais. Dois deles estão abaixo enunciados:
1.Remuneração justa e equivalente: É essencial que o salário do professor seja proporcional à sua formação e equiparado ao de outras profissões de nível superior.
2.Progressão de carreira clara e acessível: A carreira precisa ter um plano de ascensão baseado no tempo de serviço e na titulação, permitindo que todos os docentes, e não apenas uma minoria, tenham a possibilidade de alcançar o topo da carreira.

E os professores
iniciantes?
Para atrair e reter os professores iniciantes é preciso focar em pontos específicos que ofereçam suporte e desenvolvimento desde o começo da carreira. Vejamos alguns:
Apoio e Formação: Criar uma política que reconheça as necessidades dos profissionais em início de carreira. Essa política deve ser a base para a implementação de programas de acompanhamento e supervisão robustos, além de projetos de formação específicos que garantam que os novos docentes se sintam preparados e confiantes.
Condições de Trabalho: melhorar as condições de trabalho e o vínculo empregatício desses professores, oferecendo uma remuneração justa e valorizando seu desenvolvimento profissional. Também é importante revisar os critérios de lotação e designação de trabalho, buscando um encaixe mais favorável para facilitar sua adaptação.
Incentivo à Pesquisa: incentivar a pesquisa sobre esse período de desenvolvimento profissional. Isso inclui tanto estudos sobre as dificuldades e sucessos dos iniciantes quanto pesquisas colaborativas que contribuam diretamente para aprimorar a prática desses novos docentes.

Conclusão
Os autores concluem que existem alternativas viáveis e efetivas para evitar o “apagão” docente. O que falta é a iniciativa e o verdadeiro interesse para que isso aconteça.
Evitar o apagão exige soluções estruturais que passariam pelo investimento na atratividade e permanência na carreira docente. Caso isso não seja rapidamente providenciado, a próxima questão a ser respondida é: quem educará as novas gerações?

 

Gustavo Roberto Januario
Procurador Federal

Leia Também

O BRASIL DA ATUALIDADE

21/03/2026

Hugo PONTES* O Brasil gosta de anunciar avanços, mas raramente enfrenta suas falhas de maneira honesta. Embora indicadores sociais e econômicos sejam usados como prova de progresso, a realidade cotidiana

foto-valentino-voce-e-eu-alem-do-arco-iris-19-03-26

VALENTINO… VOCÊ E EU ALÉM DO ARCO IRIS

19/03/2026

Marco Antônio de Figueiredo Articulista, Advogado e Jornalista   Um dia eu vou te encontrar de novo, meu neto Valentino. Guardo essa certeza com a mesma delicadeza com que se

Segredo de justiça: proteção impunidade?

17/03/2026

Júlia Márcia Manata Pontes Estudante de Direito O princípio da publicidade é um pilar da democracia onde os atos do Judiciário devem ser transparentes para que a sociedade possa fiscalizá-los.

Quaresma: o que o silêncio revela? — um olhar psicanalítico sobre o tempo de recolhimento

16/03/2026

A Quaresma, período que antecede a Páscoa, é tradicionalmente compreendida como tempo de penitência e preparação espiritual. Mas, se deslocarmos o olhar para a além da tradição cristã, o que

Educação e Mercado de Trabalho no Brasil

13/03/2026

Hugo PONTES* A relação entre educação e mercado de trabalho no Brasil sempre foi marcada por contrastes. Embora o país tenha avançado significativamente no acesso à educação nas últimas décadas,

Por que invadir a sua casa

11/03/2026

Hugo PONTES* Quando pensamos em invasão, imaginamos portas arrombadas. Mas, no mundo de hoje, a invasão da casa quase nunca acontece assim. Ela é silenciosa. Vem por meio de leis,

Login de Assinante

Ainda não é assinante?

Ao se tornar assinante, você ganha acesso a matérias e análises especiais que só nossos assinantes podem ler. Assine agora e aproveite todas essas vantagens!