Setembro Amarelo nos convida a refletir sobre a vida e a importância de cuidar da saúde mental. Quando pensamos nos jovens atualmente, é impossível ignorar o papel das redes sociais nesse cenário. Se por um lado elas aproximam, por outro têm potencial de aprofundar solidão, comparações e sentimentos de inadequação.
Nunca estivemos tão conectados, mas os índices de ansiedade e depressão entre adolescentes e jovens adultos crescem de forma preocupante. As redes deixaram de ser apenas espaço de interação para se tornar um espelho distorcido, no qual a vida alheia parece sempre mais feliz, mais bonita e mais bem-sucedida. O resultado é uma constante sensação de fracasso e de não pertencimento, terreno fértil para a desesperança.
Estudos na área da psicologia nos lembram que a adolescência e a juventude são períodos de construção da identidade. Nesse processo, a necessidade de aceitação e reconhecimento é intensa. Quando a régua de comparação se dá pelas redes — dominadas por filtros, algoritmos e padrões irreais de beleza e consumo — o impacto emocional pode ser devastador. Não surpreende que aumentem os relatos de distúrbios alimentares, ansiedade social e sintomas depressivos entre jovens.
Mas não se trata de demonizar a tecnologia, mesmo porque as causas que levam jovens a tirar a própria vida são subjetivas e multifatoriais e as redes sociais também podem oferecer apoio, acolhimento e mobilização positiva. O problema está no uso excessivo e desregulado, que muitas vezes substitui o convívio presencial, compromete o sono, afasta os jovens da família e intensifica o isolamento.
Nesse sentido, é preciso que pais, escolas e comunidades estejam preparados a escutar e também para reconhecer sinais de sofrimento — desde mudanças de humor até o afastamento repentino das atividades de que o jovem gostava. Mais do que limitar o tempo de tela, é necessário oferecer espaços de convivência saudável, conversas abertas e vínculos que transmitam sentido e pertencimento.
Prevenir o suicídio é, em grande parte, resgatar o valor da escuta e do cuidado cotidiano. Para a juventude conectada, isso significa ajudá-la a construir uma relação mais saudável com a vida digital e, sobretudo, com ela mesma, é garantir aos jovens que não estão sozinhos nesse processo.
Veruska Matavelli Prata Maziero
Psicóloga- CRP 04/79749
Instagram: @psiveruskamaziero