Outubro Rosa nos lembra da importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. No entanto, o debate não pode se restringir ao corpo físico. O impacto da doença atravessa também a alma.
Receber o diagnóstico é experimentar medo, incerteza e um abalo profundo na identidade. As mudanças corporais trazidas pelo tratamento — como a queda de cabelo ou a mastectomia — desafiam padrões de beleza e podem ferir a autoestima. Não se trata apenas de saúde biológica, mas de ressignificar a feminilidade e a relação com o próprio corpo.
O término da quimioterapia ou da cirurgia não encerra o impacto emocional. O medo da recidiva, a reinserção na vida social e profissional e a retomada dos projetos pessoais também são etapas que exigem atenção psicológica. Muitas mulheres relatam a sensação de “renascimento”, mas esse processo de reconstrução também demanda acompanhamento para transformar a dor em força e novos significados de vida.
Nesse processo, a psicologia tem papel essencial: oferecer acolhimento, trabalhar estratégias de enfrentamento e apoiar a reconstrução da autoimagem. O suporte emocional da família e dos grupos de apoio também fortalece a resiliência, diminuindo o isolamento e o sofrimento.
A todas as mulheres que hoje travam essa luta, fica um convite ao acolhimento de si mesmas: permitir-se sentir, pedir ajuda, buscar na terapia um espaço seguro para elaborar dores e resgatar forças. A jornada pode ser dura, mas também pode revelar uma coragem inédita, uma nova forma de se enxergar e de se amar. O cuidado psicológico é, antes de tudo, um abraço para a alma.
No Outubro Rosa, lembrar do corpo é essencial, mas ouvir a alma é indispensável.
Veruska Matavelli Prata Maziero
Psicóloga- CRP 04/79749
Instagram: @psiveruskamaziero