Os números divulgados pela Polícia Rodoviária Federal no balanço da Operação Rodovida são mais do que estatísticas frias: são o retrato de uma realidade preocupante nas estradas brasileiras. Em apenas 66 dias, 1.172 pessoas perderam a vida em rodovias federais. Destas, 514 mortes ocorreram em acidentes envolvendo veículos de carga — o equivalente a 43,93% do total.
O dado chama atenção não apenas pelo percentual elevado, mas pelo impacto que acidentes com caminhões e carretas costumam provocar. Foram 3.149 sinistros com veículos de carga, representando 23,81% do total de ocorrências. Entre eles, as colisões frontais lideram o ranking das tragédias, com 288 mortes. Trata-se do tipo de acidente que, quase sempre, deixa consequências irreversíveis.
O período carnavalesco, tradicionalmente associado à celebração e ao turismo, infelizmente registrou ao menos 130 mortes — o Carnaval mais violento da década, segundo a corporação. Houve ainda aumento de 8,54% nos acidentes graves durante os dias de folia. A maioria das vítimas estava em automóveis e motocicletas, o que reforça a vulnerabilidade de condutores e passageiros de veículos leves diante de imprudências no trânsito.
Mas talvez o aspecto mais alarmante do balanço esteja no comportamento dos motoristas. Durante a Operação Rodovida, 1,2 milhão de veículos foram flagrados com excesso de velocidade. Somam-se a isso 58,7 mil ultrapassagens irregulares e 11,1 mil motoristas dirigindo sob efeito de álcool. São números que revelam um padrão persistente de desrespeito às normas básicas de segurança.
Para cidades como Poços de Caldas, conectada por importantes rodovias e com fluxo intenso em períodos festivos e turísticos, o alerta é direto. O crescimento econômico e a movimentação regional dependem da logística rodoviária, já que temos deficiência nas linhas aéreas.
É preciso ampliar a conscientização, fortalecer a fiscalização e investir em infraestrutura viária. Melhorias em sinalização, duplicações, áreas de escape e pontos de descanso para caminhoneiros são medidas que salvam vidas. Da mesma forma, campanhas educativas contínuas devem reforçar que dirigir não é um ato automático, mas uma escolha diária que envolve responsabilidade coletiva.
Porque, ao fim de cada balanço, o que está em jogo não são percentuais — são vidas.