Os dados divulgados pelo Banco Central acendem um sinal de alerta importante para a economia brasileira. As empresas estatais federais iniciaram o ano com déficit de R$ 4,9 bilhões, sendo R$ 3,17 bilhões apenas no âmbito federal. Em termos nominais, trata-se do pior resultado para o mês de janeiro em toda a série histórica.
Quando se observa o quadro completo, incluindo estatais estaduais (déficit de R$ 2,23 bilhões) e municipais (R$ 13 milhões), percebe-se que o desequilíbrio não é isolado, mas faz parte de uma realidade fiscal mais ampla. Ainda que o impacto maior recaia sobre as empresas federais, o conjunto dos números evidencia fragilidades estruturais na gestão e no modelo de financiamento dessas companhias.
O caso dos Correios simboliza essa situação. O empréstimo de R$ 10 bilhões junto a bancos, segundo o Tesouro Nacional, responde por 78% do saldo devedor das operações de crédito garantidas pela União entre as estatais. Em outras palavras, o risco fiscal acaba, direta ou indiretamente, recaindo sobre o contribuinte.
Não se trata apenas de um debate contábil. O resultado das estatais influencia a percepção de risco do país, a trajetória da dívida pública e, consequentemente, o ambiente de juros e investimentos.
Para cidades como Poços de Caldas, que dependem do dinamismo da economia nacional para sustentar comércio, turismo e indústria, o cenário fiscal do país não é um tema distante. Ele impacta arrecadação, investimentos e políticas públicas. O equilíbrio das contas nacionais é condição essencial para garantir previsibilidade e segurança econômica também nos municípios.
É preciso que o governo avance em medidas de eficiência, governança e transparência nas estatais, buscando reduzir déficits recorrentes e fortalecer a sustentabilidade dessas empresas.