A mais recente pesquisa Nexus/BTG traz um dado que merece atenção de governos, empresários e da sociedade. Pela primeira vez desde o início da série recente, a maioria dos brasileiros – 51% – classifica a situação econômica do país como ruim ou péssima. O índice representa um aumento em relação ao levantamento anterior, quando esse percentual era de 49%, enquanto também diminuiu o número dos que enxergam o cenário como bom ou ótimo.
Mais do que uma simples estatística, o resultado reflete o sentimento de milhões de famílias que convivem diariamente com o alto custo de vida. O cidadão comum não mede a economia pelos indicadores técnicos apresentados em relatórios oficiais, mas pelo valor da conta no supermercado, pelo preço dos combustíveis, pelos juros elevados, pelas dificuldades para pagar as contas e pela capacidade de manter o emprego e o poder de compra.
Essa percepção negativa também ajuda a explicar o aumento da cautela entre consumidores e empresários. Quando as pessoas acreditam que o cenário está piorando, tendem a reduzir gastos, adiar investimentos e evitar financiamentos. Esse comportamento, por sua vez, acaba reduzindo o ritmo da atividade econômica, criando um círculo difícil de romper.
Outro aspecto importante é o ambiente de incertezas. Debates sobre aumento de impostos, mudanças tributárias, gastos públicos, inflação persistente em alguns segmentos e juros ainda elevados alimentam a sensação de insegurança. Mesmo quando alguns índices melhoram, a confiança demora mais tempo para ser reconstruída.
A confiança é um dos principais motores da economia. Sem ela, o consumo diminui, os investimentos desaceleram e o crescimento perde força. Mais do que divulgar bons números, é preciso transformar esses resultados em melhorias concretas para a população. Afinal, a verdadeira medida da economia não está apenas nas planilhas oficiais, mas na realidade vivida por quem acorda todos os dias para trabalhar e sustentar sua família.