O Brasil vive um momento em que os indicadores macroeconômicos revelam um desafio que vai muito além das planilhas dos economistas. Para milhões de micro e pequenos empresários, o atual cenário de juros elevados, inflação persistente e crédito restrito representa uma luta diária pela sobrevivência.
Com a taxa Selic na casa dos 13% ao ano, o dinheiro ficou mais caro. As instituições financeiras, diante do aumento do custo de captação e do maior risco de inadimplência, endureceram as exigências para a concessão de crédito. O resultado é um círculo vicioso: justamente quem mais precisa de capital para manter as portas abertas encontra mais dificuldades para obtê-lo.
Os números do Serasa Experian são alarmantes. Na passagem de 2025 para 2026, o Brasil atingiu a marca histórica de 8,9 milhões de empresas inadimplentes. Destas, 8,5 milhões são micro e pequenas empresas, responsáveis por mais de R$ 210 bilhões em dívidas negativadas. Não se trata apenas de estatísticas. São padarias, oficinas, lojas, restaurantes, pequenas indústrias, prestadores de serviços e empreendedores familiares que movimentam a economia dos municípios e garantem milhões de empregos. As micro e pequenas empresas representam a espinha dorsal da economia brasileira. São elas que geram oportunidades, distribuem renda e mantêm vivas as economias locais, especialmente em cidades do interior como Poços de Caldas. Quando essas empresas enfrentam dificuldades, os reflexos atingem toda a sociedade: diminuem os investimentos, caem as contratações, aumenta o desemprego e reduz-se a arrecadação pública.
É evidente que o combate à inflação exige responsabilidade monetária. No entanto, também é necessário encontrar mecanismos que preservem a capacidade produtiva do país. Políticas de crédito mais acessíveis, programas de renegociação eficientes e incentivos à atividade empreendedora não podem ser vistos como privilégios, mas como investimentos na manutenção da economia real.
O pequeno empresário não pede favores. Ele busca condições para trabalhar, investir e crescer.
O Brasil precisa compreender que fortalecer as micro e pequenas empresas não é apenas uma pauta econômica, mas uma estratégia de desenvolvimento. Um país que dificulta o acesso ao crédito para quem produz acaba comprometendo seu próprio crescimento.