Poços de Caldas, MG – O Comitê de Terras Raras da Prefeitura de Poços de Caldas realizou, nesta terça-feira (1º), mais uma reunião para tratar de questões relacionadas às terras raras no município. O encontro contou com a participação de representantes do Movimento Rara é a Vida, entre elas Júlia Cristina de Ávila e Danielle Vilas Boas, ampliando o espaço de diálogo entre o poder público e a sociedade civil.
A participação das representantes do Movimento Rara é a Vida ocorreu em resposta a um ofício encaminhado ao Comitê no dia 14 de agosto, no qual o movimento solicitou participação permanente nas reuniões e discussões do grupo. A continuidade dessa participação está sendo avaliada pelo Comitê.
O prefeito Paulo Ney destacou a importância da realização dos encontros e do diálogo com diferentes setores da sociedade para subsidiar as discussões e decisões do Comitê. Segundo ele, as decisões relacionadas às terras raras são importantes para o futuro do município e devem ter como prioridade os interesses de Poços de Caldas e da população.
“Essas reuniões são muito importantes porque estamos tratando de decisões que terão impacto para Poços de Caldas. Tudo precisa ser pensado com responsabilidade, sempre colocando os interesses da nossa cidade e da nossa população em primeiro lugar”, destacou o prefeito.
A participação da população e de diferentes setores da sociedade vem sendo incorporada às discussões do Comitê. Em reuniões anteriores, o grupo já recebeu representantes de escolas, equipamentos públicos e instituições, possibilitando a apresentação de dúvidas, preocupações e contribuições sobre o tema.
Documentos apresentados
Durante a reunião desta terça-feira, as representantes do Movimento Rara é a Vida apresentaram e protocolaram três documentos junto ao Comitê.
O primeiro documento apresenta o coletivo e reúne questionamentos relacionados ao funcionamento do Comitê, à divulgação de informações e documentos, aos estudos em andamento e aos resultados esperados.
O segundo documento apresenta preocupações relacionadas à saúde da população, especialmente de pessoas que possam estar em situação de maior vulnerabilidade.
Já o terceiro documento reúne 30 ações que, na avaliação do movimento, poderiam ser adotadas pela Prefeitura durante o processo de licenciamento, com o objetivo de ampliar a transparência, garantir o respeito à população e fortalecer a participação social, especialmente dos moradores da Zona Sul.
As representantes também reforçaram a importância de que as informações relacionadas às terras raras sejam disponibilizadas de forma transparente e acessível, permitindo que a população acompanhe o processo e contribua com as discussões.
Júlia Cristina de Ávila, 26 anos, moradora da Zona Sul desde que nasceu e mãe de um menino de 4 anos com uma condição rara de saúde, destacou a importância de o poder público considerar as preocupações das famílias que podem ser diretamente impactadas pelas discussões.
“A principal preocupação é com a saúde, especificamente a do meu filho, pela condição que ele tem, que é muito rara e para a qual ainda não temos respostas. Também vejo a questão de outros moradores que têm outras doenças, síndromes respiratórias e outras condições. Precisamos de respostas para essas pessoas que são mais vulneráveis”, afirmou.
Para Danielle Vilas Boas, representante do Movimento Rara é a Vida, a reunião foi um importante passo para fortalecer o diálogo com o poder público.
“Para um primeiro contato, consideramos uma reunião satisfatória. Trouxemos várias questões para entender o funcionamento do Comitê, suas intenções, como os dados serão divulgados, como vamos acessar os documentos, quais são os resultados previstos e quais são os prazos”, destacou.
Danielle também ressaltou a importância do acompanhamento da sociedade civil nos trabalhos do Comitê.
“Vamos seguir acompanhando, levando nossas preocupações, provocando os gestores e acompanhando de perto o trabalho do Comitê, além de reivindicar a participação popular neste processo”, completou.
Transparência e participação
O Vereador Tiago Braz, presidente da Comissão Especial de Terras Raras da Câmara Municipal, também participou da reunião e destacou a importância da presença de diferentes setores e da população nas discussões.
“A reunião foi importante para ouvirmos as moradoras da Zona Sul, que têm buscado informações sobre o assunto e demonstrado preocupação com os possíveis impactos da exploração de terras raras. Elas protocolaram documentos com questionamentos e esperamos que todas essas dúvidas sejam devidamente esclarecidas”, afirmou. Segundo Tiago Braz, durante o encontro também foram discutidas medidas para ampliar a transparência dos trabalhos e a participação de diferentes setores da sociedade. Entre os pontos apresentados está a importância do registro em ata de todas as reuniões e a busca por uma participação mais equilibrada, com presença de universidades, população, instituições e representantes da área ambiental.
“É importante que todos os setores envolvidos tenham espaço para participar e contribuir com esse debate. Queremos construir esse processo com transparência, diálogo e participação da sociedade, para que possamos encontrar, coletivamente, os melhores caminhos para o nosso município”, ressaltou.